Publicado por: Thomas J. Schrage | 02/01/2010

O dia tem 24 horas ou 23 horas e 56 minutos?

Olá!

Há gente que diz que o dia tem 24 horas. Mas já ouvi dizer que na verdade,são 23 horas e 56 minutos.

Qual das afirmações é verdadeira?

AS DUAS! Vamos ver porque.

O “dia” é o tempo de rotação da Terra. Rotação é o movimento que a Terra faz em volta de seu próprio eixo.

O tempo verdadeiro da rotação é de 23 horas, 56 minutos, 4 segundos e 9 centésimos (23h 56min).  Isso é medido em relação às estrelas

Para uma mesma estrela estar em um mesmo ponto do céu, demora 23 horas e 56 minutos e 9 segundos! Dessa forma, vemos que a rotação da Terra não é 24 horas, mas 23 horas e 56 minutos.

Sim! Mas há um problema.

Até aí beleza?

Bem. O problema que a Terra não está parada em relação ao Sol. Ela faz um movimento chamado de translação.

Dessa forma, enquanto a Terra gira em torno de si mesma, ela se movimentou em relação ao Sol.

Aí, ocorre que para o Sol estar no mesmo ponto, calcula-se 360° (da rotação da Terra) mais  aproximadamente  1° da translação (0,986°)!

Isso quer dizer que demora-se as 23 horas e 56 minutos mais um grau aproximadamente. Sabendo que esse um grau é cerca de 4 minutos, temos que o dia solar demora 24 horas… 4 minutos a mais que se ele fosse calculado apenas com a rotação da Terra.

Agora vale dizer que existem duas formas de medir o tempo!

1) SIDERAL (ou estrelar)

2) SOLAR

Para cada medida, o tempo do DIA é 24 horas.

1) Um dia SOLAR possui 24 horas solares

2) Um dia SIDERAL, possui 24 horas siderais

Mas o dia sideral é mais curto que o solar (no tempo solar)
E o dia solar é mais longo que o dia sideral (no tempo sideral)
por que o sideral é apenas medido pela rotação da Terra e o solar inclui a translação! Fácil não?

Vou colar aqui um trecho de um trabalho:

“Astronomicamente, o dia solar é definido como o intervalo entre duas culminações sucessivas do Sol, isto é, duas passagens do Sol, em seu movimento aparente, pelo ponto do céu onde ele fica mais alto. E a hora solar dura, por definição, 1/ 24 deste dia solar; isto equivale a dizer que o dia solar tem, por definição, 24 horas solares.

Além disso, existe uma outra definição, o dia sideral, que é o intervalo entre duas culminações de uma estrela qualquer. Como as estrelas podem ser consideradas “paradas” em uma escala de tempo da grandeza de algumas horas, o dia sideral equivale ao período de rotação do Terra.

No entanto, quando vamos relacionar o dia solar com o dia sideral, vemos que o segundo é mais curto que o primeiro”

(Fonte: DIA E NOITE SEM ROTAÇÃO, E OUTRAS DÚVIDAS CONCEITUAIS SOBRE ASTRONOMIA BÁSICA” de Andrade e Canelle)

Mas o  dia sideral é cálculado conforme o dia solar.
Pois o dia sideral, calculado em tempo sideral, tem 24 horas.  E o dia sideral, calculado em tempo solar, possui 23 horas e 56 minutos!

O glossário do Observatório nacional afima que:

Dia sideral:
Intervalo de tempo decorrido entre duas passagens meridianas, sucessivas, de uma estrela. O dia sideral é o período de rotação verdadeiro de um planeta. Por exemplo, a taxa de rotação da Terra é de 1° a cada 3,989 minutos. Deste modo, na Terra, um dia sideral corresponde a 23 horas 56 minutos e 4,09 segundos. Veja que o dia sideral da Terra é quase 4 minutos mais curto do que o dia solar no qual os nossos relógios estão baseados. Assim, para um observador na Terra uma estrela cruza o meridiano aproximadamente 4 minutos mais cedo do que ela o fez na noite anterior.

Dia Solar
É o intervalo de tempo entre duas passagens meridianas, sucessivas, do Sol. Os nossos relógios estão baseados neste intervalo de tempo. Deste modo, na Terra, um dia solar é equivalente a 24 horas em média

(FONTE: http://www.on.br/glossario/alfabeto/d/d.html)

“Estes dois tempos (sideral e solar) diferem porque o Sol, dia a dia, se move em relaçāo às estrelas, devido, na verdade, ao movimento da Terra em sua órbita em torno do Sol. Assim, vamos vendo, a cada noite, um céu um pouquinho diferente à medida que a Terra realiza seu movimento de revolução ao redor do Sol. Se considerarmos que, durante um ano sideral, a Terra dá uma volta completa em torno do Sol, e que este ano tem a duração de 365,2564 dias solares, concluímos que, em cada dia, o Sol se move 360/365,2564=0,985609 graus por dia Solar, o o que corresponde ao intervalo de tempo de 3m56 siderais”

(FONTE: http://www.if.ufrgs.br/~thaisa/fis2004/tempos.htm)

DESSA FORMA, TEMOS QUE TODAS ESSAS AFIRMAÇÔES SÃO VERDADEIRAS:

  • DIA SOLAR medido em TEMPO SOLAR
    24 horas
  • DIA SOLAR, medido em TEMPO SIDERAL
    24 horas e 3 minutos e 56 segundos
  • DIA SIDERAL, medido em TEMPO SIDERAL
    24 horas
  • DIA SIDERAL, medido em TEMPO SOLAR
    23 horas 56 minutos e 9 segundos
Publicado por: Thomas J. Schrage | 16/12/2009

Por que o pólo sul (ou norte) é frio?

Parece uma pergunta banal, mas há muita gente que não sabe responder.

Já ouvi até coisas como: ué, ele é frio porque tem gelo.

Mas a verdade, claro, é que ele tem gelo porque é frio. Há uma inversão aí.

Outra forma de explicar isto é que o pólo está mais distante do Sol, aí os raios perdem energia!

Péra lá!!!! A circunferência à volta dos pólos é de 40.020 km. No equador é de 40.091. Visto de outra forma, a distância do Sol para os pólos e para o Equador é muito pequena para que seus “raios” percam força.

Se fosse assim, Marte sempre seria mais gelado que os pólos (por estar longe do Sol). Mas não é. Marte já teve temperaturas tropicais, de 27°C e sua média é de -55°C.  A Antártida possuí temperaturas médias de -10° C e no Equador, chutamos, uns 30ªC.  Se poucos quilômetros de diferença da distância do Sol para o Equador e para os pólos é capaz de derrubar mais de 40° C, por que Marte então não é tão mais frio?

Outro argumento é que os raios do Sol não batem “direto”. Perá aí. Como assim não batem direto?! Se não batesse direto, o que é bater indireto? Refletido por nuvens? Vejamos… A região dos pólos é de alta pressão (pois é mais frio), onde há divergência.  No equador, há baixas pressões (pois é mais quente), onde há convergência, chamada de Zona de Convergência intertropical.

Veja o modelo triceleluar da atmosfera.

Graças a isto, temos isso:

Que é uma concentração de nuvens nessa região de baixa equatorial.  De forma sagaz percebemos que (1) no pólo, zona de alta e além disso zona fria (onde não há umidade), o céu será limpo e (2) no equador que realmente há um bloqueio direto dos raios solares. É no equador, a região mais quente, que há mais raios indiretos do sol!

Ainda não acredita?!
Olhe essa  animação sobre nuvens e vapor.

Outra coisa muito comum de se falar é que “o Sol bate de lado”. Bem, o Sol não bate em lugar algum… O que “bate” são seus raios,  e “de lado”, se for entendido como “inclinado” está correto.

Mas é um “de lado” diferente do que do que um final da tarde. O de lado do final da tarde é um de lado “horizontal”, no pólo seria um de lado vertical.

Esta imagem pode ser bem explicativa! (ela está tosca, pq eu que fiz rsrs)

Na figura 1, vemos a Terra (não inclinada, para fins didáticos) recebendo os raios do sol (representado pelos riscos horizontais paralelos também para fins didáticos).

Para facilitar o entendimento, na figura 2 eu deixei a Terra “reta”. Tirei as curvas delas, deixando como se a superfície fosse arestosa.

No momento 3, vemos o mesmo raio  de sol atingindo o Equador, que, por estar perpendicular aos raios, receberá um máximo de energia por área.
Já em direção aos pólos (não sendo ainda necessariamente o pólo, mas já na região polar), vemos que o mesmo raio, trazendo a mesma energia, terá que distribuir tal radiação por uma área maior. Perceba que quanto menos inclinado, mais energia por área, e quanto mais inclinado, menos energia por área!

Uma outra figura, minha (baseada em outros sites) que explicaria isso:

Nesta figura vemos que o Sol, lançando uma energia de 342 W por segundo, ao atingir o equador (0°) terá um máximo de energia por área. Já S sol na latitude média de 45° (ou seja, visto numa inclinação de 45°), terá sua energia de 342 W por segundo dividido em uma área maior. A  baixo da área em vermelho, que representa a superfície de banhada pelo Sol de 45°, colocamos a área banhada pelo Sol no Equador. Perceba que ela é consideravelmente menor! (agora imagine isso para a escala planetária!). E agora imagie isso para a região polar, entre 60° e 90°.

OBS: A Distância do Sol não tem motivo, apenas para caber melhor no desenho!!!!!!!

Espero que tenham todos entendido porque os pólos são mais frios! Pois o calor, que é a radiação solar, será menor por m² se comparado com latitude baixas (tipo o Equador ou entre os trópicos).

Para quem ainda quer tirar a prova. Pegue uma luminária e 2 pedaços de cartolina preta (que absorvirão melhor o calor). Deixa uma cartolina perpendicular aos raios da luminária e outra bastante inclinada. Veja que quanto mais perpendicular aos raios da luminária, mais quente será a cartolina.

No próximo tópico, falarei sobre as estações!

Publicado por: Thomas J. Schrage | 16/12/2009

sites legais

Acho que devia colocar mais imagens neste site… Além de deixar bonito, ficaria mais didático.

A internet, se bem usada, é uma maravilha para ensinar e aprender.

Uma dessas maravilhas é um site chamado HowStuffWorks. Há uma versão em nosso idioma, chamada “Como tudo funciona”. Obviamente a inglesa é mais completa, como em quase tudo…

Claro que todo mundo já sabe que recursos didáticos na internet são perfeitos se bem usados, mas algumas pessoas teimam em deixar para lá… O que só prejudica a atenção do aluno, e consequentemente a vontade do professor dar aula, criando-se um ciclo vicioso.

E pior, há professor que nem o básico faz: um trabalho de campo, nem que na praça seja. E acredite: um bom professor faria até a praça mais mixurica ser de interesse e educação geográfica de suma importância. COMO FAZER GEOGRAFIA, sem mostrar a realidade para o aluno? Enfim…

Há diversos outros sites, na maioria em inglês, cheio de animações para explicar ciências naturais, biológicas, físicas, etc etc e tal. É uma pena que os professores usam muito pouco isso e aparentemente os colégios não incentivam tanto a reciclagem de professores que não sabem usar algumas ferramentas (e o título ferramentas aqui é tão verdadeiro e importante quanto uma ferramenta de pedra fora para nossos antepassados!)

Próprios professores de faculdade, a maioria jovem,  estão utilizando-se desse tipo de site. Explicar a atmosfera de forma 3d é MUITO mais simples que na losa, além de economizar tempo de aula que poderá ser usada para mais conteúdo. Eu tenho um professor que tem youtube, manda e-mail, sabe fazer pdf, tem facebook, orkut, twitter e é um períto em excel … É facilmente percebido o diferencial dele e a facilidade que isso trás para o aluno. Até mesmo na velocidade de catalogar notas,  enviar bibliografia, avisar problemas de horários, etc.

Bem, tudo isso para dizer que tentarei trazer alguns tópicos deste tipo. Esse é, inclusive, meu projeto num grupo de estudos chamado GEF: Grupo de estudos e aplicação (educacional) de Geografia Física.  Infelizmente com contratempos o projeto anda devagar, e fazer isso de forma pessoal neste blog aqui economiza algum tempo burocrático (de não ter que passar por reuniões quinzenais). Mas claro que um projeto com a faculdade será muito melhor, pois estarei com colegas super experientes e com apoio de professores e até um certo fomento.

A vantagem de animações é que o professor pode repetí-las e muitas vezes pausalas, explicando. São pequenas e leves, fácil de carregar em pen drives e etc… para ligar no seu notebook e no data show da escola (se a escola não tem data show, é um problema…). Vídeos e filmes geralmente criam muita extase nos alunos que dispersam a mentem ou dormem no escurinho, além de que são longos e difícil de manusear. Infelizmente a maioria dos vídeos aínda é fita cassete, o que piora a situação.

(ps: se o professor não sabe inglês, como ele passou na faculdade?)
(outro dia coloquei ANIMAÇÃO EDUCAÇÃO e apareceu “animação erótica”. O Google também é sacana!)

LINKS! ctrl c >>> ctrl v (copiar e colar, para quem não sabe)

Como tudo funciona (pt-br) http://www.hsw.uol.com.br/

Como tudo funciona (en-us) http://www.howstuffworks.com/

Como tudo funciona (ch) http://www.bowenwang.com.cn/ (hahaha!)

Banco de dados de animações em geologia (escolhi o tema escorregamento de solo) : http://serc.carleton.edu/NAGTWorkshops/geomorph/visualizations/mass_wasting.html

Banco de dados das animações (en-us): http://serc.carleton.edu/

Explorando a Terra (en-us): http://www.classzone.com/books/earth_science/terc/navigation/home.cfm

Animações no IG (pt-br): http://www.klickeducacao.com.br/2006/animacoes/anima_home/0,6359,PIG,00.html  (É pago,  incrível como no Brasil ninguém faz coisa do tipo de graça… ainda, até meu grupo começar!!!)

Dia Dia Educação (pt-br): http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/ Gratuíto, mantido pelo governo do Paraná! (aeeeee! mas esse é tosco)

Animações sobre geologia (en-us) : http://www.wwnorton.com/college/geo/egeo/animations/ch2.htm (explicar a crosta oceânica com isso economiza uns 5 minutos de sua vida. No mínimo) Obs: coloquei o capítulo dois, mas são vários capítulos. O 2 porque eu tenho um problema grande em desenhar uma crosta oceânica sem tirarem meu sarro.

Animação de construções (alguma língua germânica) http://www.digital-archaeology.com/index.php?nav_id=9&gal_akt_image322=801&gal_nr322=0 (animação de arquitetura antiga… Bom para professor de História explicar feudo ou construção grega. Mas como eu amei esse site impecável, coloquei aqui)

Paleogeografia (en-us): http://www.scotese.com/newpage13.htm

Mais geologia (en-us): http://walrus.wr.usgs.gov/elnino/landslides-sfbay/photos.html

Experiências e idéias da TV Minuto  (pt-pt):  http://www.cvtv.pt/minuto/ (tem experiências legais  sobre os pólos… inclusive sobre glaciação. Show de bola e segundos a minutos cada experiência)

Animações sobre meteorologia e climatologia (en-us): http://weather.about.com/od/educationalmaterials/tp/weather_animations.01.htm

Experimentoteca de Solos no Paraná (pt-br), para felicidade de minha professora que ama essas experiências. http://www.escola.agrarias.ufpr.br/experimentoteca.html

LivroClip – projeto legal com livros animados para crianças. É no mínimo fofo, mesmo que fora do tema deste blog (mas é para mostrar o que a tecnologia é capaz). (pt-br!) : http://www.livroclip.com.br/index.php . Tem até divina comédia (meio macabro mesmo… escolherem bem o capítulo inferno)

Publicado por: Thomas J. Schrage | 25/10/2009

Xixi no Banho e a mata Atlântica

Alguns de vocês já devem ter se deparado com a campanha “xixi” no banho, para “salvar” a mata atlântica.

É uma campanha muito bem feita e muito simpática [forçadamente simpática, pois as pessoas tendem a ter “nojinho” receios sobre assuntos que lembrem sua origem animal, como soltar resíduos – que é exatamente o que faz de um ser....  ser vivo!  (de acordo com as teorias da entropia aplicadas à vida que explicam que um ser só se mantém organizado ao poluir o meio ambiente]

Apesar da excelência em design e marketing da campanha pela S.O.S Mata Atlântica, creio que há algumas coisinhas a se falar.

A primeira é que de fato é inegável a economia de água ao fazer xixi no banho. Não só para o bolso do morador da casa, para o bolso do governo como para a saúde de nossa mãe Terra; mas não é solução única para todos os problemas…

Vamos ver o caminho da água para chegar a São Paulo (na região norte da região metropolitana de SP)

A água vem de rios, cujas nascentes encontram-se em SP e MG, em locais de intensa agricultura (ou seja, quase não há mais mata atlântica por lá). Passam por alguns reservatórios no Estado paulista até chegarem a um grande reservatório ao norte da Serra da Cantareira.  Aí, a água é elevada por uma usina elevatória para cima da Serra e depois é distribuída pela Sabesp.  Ou seja, a água será levada até São Paulo com ou sem descarga no seu banheiro… mas é um número estável de água que chega a São Paulo por esse caminho; se o gastar muito com descargas, não poderá gastar com outra coisa.

Mas mesmo assim eficácia real desse método de xixi no banho é muito, muito pequena perto do que se deve fazer. O sistema total de esgoto de São Paulo é infinitamente mais responsável por perdas de água do que a água gasta na sua casa ao não reciclar a água direito!  Se todos pararem de gastar tanta água, sem dúvidas o nível dos rios se manterá muito melhor do que está agora (por muito tempo, os níveis de São Paulo estavam abaixo do ideal). Mas, no fim, a água se já tiver sendo “bichada” na nascente, o problema começará bem mais cedo.

A luta simplesmente não para no xixi no banho.
Quanta água é desperdiçada na represa Billings, que abastece a região Sul da Região Metropolitana de São Paulo? Muita!!! Por conta de o reservatório estar com suas margens ocupadas por habitações ilegais. Meu caro… você e sua descarga é fixinha perto do lixo que os moradores soltam nessas reservas disperdisando muito água. E cadê os anúncios de pressão governamental para ativar usinas de saneamento lá? Lembro, inclusive, do CQC fazendo um “proteste já” por conta de uma usina ali desativada. O CQC, conseguindo ativar a Sabesp ali, irá economizar muito mais água que centenas de xixis no banho.

Salvar a Mata Atlântica também é outro problema… Nosso sistema produtor de água está em lugares já há muito desmatado. E possivelmente em constante poluição, por conta de agrotóxicos, estradas e empresas pouco conscientes. Lembro que fui num dos rios principais do sistema Cantareira (o da região norte da RMSP), logo na divisa de MG com SP. A quantidade de lixo vindo da estrada era incrível. Quem acompanhou o SP TV, da Rede Globo, com sua sonda nos rios paulistanos, sabe do que estou falando.

Depois da sua casa em São Paulo, a água irá seguir pelo Tietê até a bacia do Paraná. Apenas lá no final de sua vida, a água vai encontrar locais de mata atlântica ainda preservada.  O problema da Mata Atlântica é muito mais profundo: desmatamento, habitação ilegal, empresas “à la Cubatão”…

Mas o seu xixi no banho, não irá salvar tanto a mata atlântica assim. Salva indiretamente, mas infelizmente a água da sua descarga mal vê a mata atlântica, se não manchinhas de mata ciliares em locais mais ou menos preservados a muito custo.

Levar as pessoas a morarem em locais de preço de terra barata, geralmente em beiras de rios e represas; que por sua vez irão poluir os sistemas abastecedores de água, é um grande mal. É um mal ambiental que nasce de um mal social. É por isso que NUNCA podemos ver problemas ambientais desassociados de problemas sociais. Se o sistema capitalista de elevação do preço da terra não expulsasse os pobres para locais impróprios, você não ficaria tão preocupado (mas tomara que ainda um pouco) com o destino de seus líquidos corporais.

Xixi no banho é uma boa.

Mas  pressionar o governo a manter saneamento, uma rede de esgoto eficiente e políticas de moradias em locais próprios,  é muito mais  importante.

Além dos anúncios bonitinhos das gotinhas, deviam passar listas de políticos que permitiram indústrias e permitem agrotóxicos nas beiras dos rios. Ninguém sai por aí falando da venda ilegal desses produtos químicos, né?

Publicado por: Thomas J. Schrage | 16/10/2009

Regras ABNT e refêrencias. parte 2

esta é a segunda parte de um outro “post”, onde eu explicou e/ou indico links de como se fazer capas, letras, citações, bibliografia (e etc) na norma ABNT e outras.

É bastante raro achar textos ou documentos que expliquem como referenciar algumas coisas um pouco diferentes.

Para um Geógrafo ou afins, pode ser importante saber como citar e colocar na bibliografia Atlas, fotografias aéreas, entrevistas, etc…

Bem, vamos lá, explicar isto para a norma ABNT.

É só seguir as chaves a baixo, respeitando sinais e negritos (ou itálicos, se preferir no lugar do negrito).

MAPA IMPRESSO , GLOBO ou ATLAS

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Escala.

Obs: muitas vezes os mapas vêm com relatórios. Citar eles também.
Ex: MOROZ, Isabel Cristina ; ROSS, Jurandyr L S . Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo. São Pauilo: USP/IPT/FAPESP, 1997. v. 2.

MAPA INTERNET

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Escala. Disponível em: xxxx. Acesso em: (data)

MAPA DIGITAL

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Escala. Mídia

FOTOGRAFIA AÉREA

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicasdo tipo de documento (se puder), dimensões (se puder). Escala. Informações relativas.

IMAGEM DE SATÉLITE

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Informações relativas.

INPE. Ciclone: formação no Oceano Atlântico Sul. São José dos Campos, 2000. 1 imagem de satélite, NOAA, 20 de abril de 2000.

FOTOGRAFIA

AUTORIA (Fotógrafo). Título. Ano. Designações específicas (se puder), cor, dimensões.

(fotos de obras de artes é diferente. O autor é o da obra de arte, e no final aparece o fotógrafo).

ENTREVISTA (publicada)

AUTORIA (Entrevistado). Título da entrevista. Dado de onde foi publicado (por exemplo: revista Caras), local da publicação, numero e edição. Ano. Designações específicas do tipo do documento. Entrevistador (se necessário)

Exemplo:

LOVELOCK, J. A vingança de Gaia. VEJA (arght!), São Paulo, 25  out. 2006. Página ?. Entrevista concedida a Diego Shelp

Publicado por: Thomas J. Schrage | 11/10/2009

Homenagem ao Aziz Ab’Saber

repassando:

“Haverá pelo IEA um evento que tem como objetivo discutir questões
ambientais e fazer uma homenagem ao professor Aziz Ab’Sáber.”

Desafios Socioambientais para o século XXI
Homenagem ao Aziz Ab´Sáber

LINK PARA A PROGRAMAÇÃO NO IEA (Instituto de Estudos Avançados – USP)

É gratuito!!!

20 outubro 2009
auditório FEA-5 da FEA/USP
Av. Prof. Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo

Crise de abastecimento hídrico, alterações climáticas, escassez de matéria-prima e de fontes de energia tradicionais resultam em um cenário conflituoso para este século. Além disso, uma crise econômica de enorme proporção partiu do centro do sistema hegemônico e afetou diversas esferas da vida contemporânea. Esse conjunto de desafios exige uma reflexão conjunta, que mobilize pesquisadores e lideranças de várias áreas na busca de alternativas que resultem em maior inclusão social e resolução de problemas ambientais.
Para contribuir nessa discussão, o Instituto de Estudos Avançados – IEA, com apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e Departamento de Geografia da FFLCH-USP realizam o seminário “Desafios Socioambientais para o século XXI”.
Trata-se também de uma homenagem especial ao geógrafo e ambientalista Aziz Ab’Sáber, convidado de honra, que vai partilhar suas experiências sobre temas atuais com interlocutores de diferentes segmentos sociais e acadêmicos. O seminário será uma nova oportunidade para pesquisadores, estudantes, ambientalistas e integrantes de movimentos sociais conhecerem as opiniões do professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e professor honorário do IEA.

PROGRAMAÇÃO

10h00 Abertura
IEA/USP, SBPC, AGB, Depto. Geografia da FFLCH/USP, Reitoria da USP
10h30-12h00 Brasil: potência ambiental?
Coordenação de Marco Antonio Raupp, Presidente da SBPC
Carlos Alfredo Joly, IB/UNICAMP – Biodiversidade e Mudanças Climáticas: de Copenhague Nagoya
Jose Roberto Moreira, CENBIO/IEE/USP – Desafios Ambientais: a questão da energia e dos recursos hídricos
Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, IB e IEA/USP – Serviços Ambientais, Agricultura e Conservação no Brasil
14h00-15h30 Metrópole paulistana: qualidade de vida e proteção ambiental
Coordenação de Lea Francisconi, Presidente da AGB/SP e FFLCH/USP
Claudio de Mauro, UFU
Nabil Bonducki, EESC/USP
Odette Seabra, FFLCH/USP
15h30-17h00 A Transformação da Paisagem Brasileira
Coordenação de Adilson Avansi Abreu, FFLCH/USP
Jose Bueno Conti, FFLCH/USP – A desertificação e suas conseqüências
Elvio Rodrigues Martins, FFLCH/USP – A urbanização e os problemas socioambientais
17h00 Homenagem ao Prof. Aziz Nacib Ab´Saber
Coordenação de Cesar Ades, Diretor do IEA/USP
Magda Lombardo, UNESP
Wagner Costa Ribeiro, IEA e FFLCH/USP
Thales Ab´Saber
Aziz Nacib Ab´Saber

Inscrições
em: www.iea.usp.br/iea/inscricao/form3.html
Haverá transmissão pela web em www.iea.usp.br/aovivo”
Mais informações podem ser obtidas com Inês Iwashita (ineshita@usp.br), tel. (11) 3091-1685.
—-
Olha, creio que vai ser muito bom o evento. Dos nomes que eu aí reconheço, todos são muitos bons.
Para quem desejar seguir a área de Geografia ou qualquer área relacionada à questão ambiental é uma boa pedida esse evento.
Para quem não sabe, Aziz (nascido em 1924) é um dinossauro da Geografia, professor emérito e honorário, sendo renomado nacionalmente pela sua luta pelo meio ambiente e por trazer teorias, principalmente francesas (como as sobre paleoclimas quartenários e domínios morfoclimáticos),  para o Brasil no meio do século passado.
Publicado por: Thomas J. Schrage | 08/10/2009

Paisagem e Geografia Física

Fui acusado por colegas de ser totalmente parcial ao dizer mais de uma vez neste blog, inclusive em um post “o que é Geografia Física”, voltado à não Geógrafos, de que esta porção da Geografia poderia ser baseada nos estudos da “paisagem”.

Dessa forma, elevei o conceito de paisagem em nível de ser o objeto de estudos da Geografia Física.

Oras, de fato, são acusações válidas. Mas temos que ver o seguinte. Essa minha afirmação não foi baseada de fato na epistemologia da Geografia, e sim, foi buscar uma forma didática. O que eu quis dizer com Paisagem não está incluído em nenhuma conceitualização da Geografia; foi, na verdade, apenas uma palavra comum do vocabulário cotidiano de todos.

Creio que de fato seja válido dizer que um bom Geógrafo Físico possa explicar facilmente aquilo que vê (paisagem), de cima de uma montanha. Saiba elementos do clima, fauna, solos e relevo que permitem dizer o porquê daquilo ser daquele jeito, e não de outro. Foi neste sentido que quis dizer o trabalho do Geógrafo Físico.

Contudo, bem sabemos que um Geomorfólogo não pode só estudar uma paisagem. Ele pode simplesmente se focar no relevo fluvial e ter toda sua vida acadêmica baseada em explicar as formas esculpidas por rios. Tá certo que aí ele não precise entender todos os elementos da paisagem no sentido de tudo que seja abrangido em seu campo de visão. Mas creio que seus estudos, ainda sim, mesmo que em uma escala maior (mais detalhada), ainda seja baseada  no visível.

Um pedólogo, que estude solos, vindo da Geografia, não pode apenas se basear nas análises laboratoriais por si só, ou apenas se basear no solo em relação a cultivos (como um Agrônomo poderia). Creio que isto foge do que é “ser um Geógrafo”. Em minha opinião, e aí confesso toda minha parcialidade, mas sei que estou apoiado por uma grande maioria, um Geógrafo precisa estudar os solos vendo ele em relação com a vida que sustenta e com todos seus fatores de formação (relevo, clima, tempo, biomas e material de origem). É  entender os seus atributos Geográficos de localização e distribuição e a sua relação com o espaço.

Quanto à definição de a Geografia Física estar atrelada ao conceito de Paisagem, não é algo da minha cabeça. Mesmo que eu tenha utilizado o termo paisagem como está na cabeça de qualquer pessoa não Geógrafa, eu poderia muito bem defender esta afirmação com um conceito de Paisagem mais trabalhado.

Nos últimos tempos, houve uma retomada do conceito de paisagem na Geografia. Alguns conceitos, como Região, sempre foram de certa forma debatidos, uma visão com a outra, mesmo que mantendo uma linha em comum, que seria o econômico (meio de produção, apropriação capitalista da natureza, etc.…). Talvez o conceito de território, mais atrelado ao político, é mais estável ainda. A Geografia Política, a meu ver, sempre utilizou a noção de território na sua base, e ainda mais com essa característica do “poder” mais diretamente (contudo, há pessoas que dizem que o território não mais rege a geopolítica, esta também deveria agora se basear cada vez mais no econômico, a geoeconomia).

Atualmente, a Paisagem é muito utilizada pela Geografia Cultural. Aí, prevalece uma noção bastante legal de que a paisagem é percebida por um olho humano cheio de simbolismos e cultura; não por uma lente fria e sem paixões.
Ainda sim, prevalece uma corrente naturalista  como a de Bertrand, e a que eu mais me baseio, para explicar que “a paisagem é, numa certa porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos ou abióticos, biológicos e antrópicos que reagindo dialeticamente uns sobre os outros fazem da paisagem um conjunto único e indissociável que evoluciona um bloco”.

Ora, a diferença dessas duas correntes é bastante clara. A da Geografia Cultural busca ver a paisagem cada vez mais com subjetividade; a dos Geossistemas (”naturalistas”) como um objeto passível de uma análise minuciosa para se entender a “Natureza”.

Creio que ambas as noções NÃO são contraditórias! O Geógrafo Cultural está na cidade, e claro que na cidade a visão humana é subjetiva. Muitas vezes, passamos sempre pelo mesmo lugar, mas apenas quando estamos com fome, vemos que ali há muitos restaurantes. É o caso da Berrini. Imediatamente vemos prédios, a economia voltada para fora, para o “mundo economia”, em forma de fluxos e redes, ligando a Berrini com a Paulista e estas com Tóquio, Londres, etc.… Apenas estando muito próxima da Berrini, vivendo o seu cotidiano, vemos toda aquela vida local, a economia local, com bares e restaurantes.
Outro exemplo da subjetividade é a topofilia.  A própria nomeação dos lugares é bastante clara nesse aspecto: nós, da Geografia, tendemos a chamar o ponto de ônibus à frente da Geologia, logicamente de “o ponto da Geologia”, tanto que esse nome dá a impressão de ser o nome oficial, que todos saberiam onde é. Contudo, um estudante da ECA (Artes Plásticas, Jornalismo etc..), considera aquele seu ponto, e há casos de que eu falei “ponto da Geologia” para alguém da ECA, e este, que não conhecia a Geologia, pensou que eu estava falando de um ponto do outro lado do campus universitário. Nós da Geografia que dividimos o prédio com a História vivemos brincando com isso. Um fala “prédio da Geografia”, outro de “prédio da História”. As pessoas da Geologia, também chamam de “prédio da Geografia”, já para a maioria do campus  é  “prédio da História”. No fim, quase ninguém sabe o nome oficial do prédio e nunca ouvi utilizarem ele!

Ocorre o mesmo com paisagens naturais? Em menor escala, sim. Mas é claro que um índio olha uma porção de sua floresta de forma totalmente diferente que um madeireiro. É claro que um Agrônomo olhará a paisagem diferente de um Geógrafo que será diferente de um artista plástico.

Mas será que mesmo por causa disso, não podemos criar mecanismos menos subjetivos? Claro que sim, e é exatamente isto que a Geografia Física faz. Com estudos de suas disciplinas, podemos olhar mais treinados para uma paisagem, buscando uma objetividade. Se a subjetividade do pesquisador fosse empecilhos, as ciências humanas tenderiam a desaparecer completamente!

Nessa linha de pensamento (a paisagem como elemento subjetivo), os autores a excluem como sinônimo de Natureza, como eu outrora fiz neste blog. De fato, é um exagero associar a Natureza com a Paisagem, ainda mais em vista de que a própria natureza é um conceito subjetivo.

Pode-se, facilmente, estudar na Geografia Física a paisagem de forma cartesiana e objetiva, utilizando-se métodos dos Geossistemas e ecologia, se focando no observável.

Um Geossistema é ” o resultado da combinação de fatores geológicos, climáticos, geomorfológicos, hidrológicos e pedológicos associados a certo(s) tipo(s) de exploração biológica. Tal associação expressa a relação entre o potencial ecológico e a exploração biológica e o modo como esses variam no espaço e no tempo, conferindouma dinâmica ao geossistema. Por sua dinâmica interna, o geossistema não apresenta necessariamente homogeneidade evidente. Na maior parte do tempo, ele é formado de paisagens diferentes, que representam os diversos estágios de sua evolução.  (JANISE e LEONARDO, 2007)

Pode-se, ainda, estudar a paisagem “natural”, mesmo que interpretada como natureza, buscando a dimensão do cultural e do subjetivo; neste caso, se focando no homem, no observador. Creio que a Geografia brasileira carece ainda desse tipo de estudos, principalmente por esta ser tão colada com o econômico.

A Ciência é livre.

Para mais estudos:

JANISE, D. e S,  LEONARDO – A paisagem e o geossistema como possibilidade de leitura da expressão do espaço sócio-ambiental rural. Rev. Confins,  n°1, 2007. pp 2-20

A bibliografia do texto foi baseada em  textos de Vitte, Carl Sauer, Sotchava, Brunet, Bertrand G., Salgueiro (SALGUEIRO T. B. – Paisagem e Geografia, revista Finesterra, XXXVI, n 72, ano 2001), Monteiro C. A e Francisco Mendonça.

Publicado por: Thomas J. Schrage | 02/10/2009

Enem 2009 – Questões comentadas (parte 2)

Agora, comentários  da prova de ciências humanas, com questões que se referem a Geografia.

(comentando aos poucos. São bastantes questões)
(me desculpe os erros de português, arrumarei posteriormente).

Questão 48 )
Alternativa B

Uma questão legal, já que trata do meio ambiente relacionado com Ciências humana.
Acho que daria para confundir com a alternativa D. O problema que aqueles países estão longes e não são abundantes em água. Uma obra de tão grande envergadura traria mais males do que bens.
Na alternativa C, algo que é aparentemente viável, ficaria apenas estranho no caso de que, sem água, de nada adianta plantar grãos (que precisam ser regados).

Questão 49)
Alternativa  E.
Segue a mesma linha que toda a prova de Geografia, tanto na parte de Natureza como de Humanas. A relação do meio ambiente com o homem.
A questão só se tornaria complicada por usar palavras semelhantes em todas questões.  É algo feito para atrapalhar os desatentos e quem sofre de Dislexia =(
Qualquer cartilha sobre preservação ambiental, além de anúncios, tratam de evitar o consumo exagerado. Isso, porque a entrada de água nas represas depende muito de chuvas.  Em períodos de seca ou de um “boom” de gasto (como na praia, durante o ano novo) os reservatórios podem ficar abaixo da capacidade.

Questão 50.
Alternativa C.

Essa questão foi realmente legal.
O Carro é um dos produtos mais forçados a serem vendidos. É um “Deus”, o “objetivo maior” de muita gente.
Basta olhar: muitos carros grandes tem apenas um motorista. É um disperdício de espaço.
A questão A não deixa de ser verdade, mas é um exagero.
Infelizmente a questão E não é real, pois isso criaria um colapso nos transportes de grandes massas e produtos. A solução seria transporte público (e não asfaltar rios, como o Maluf deseja).

Questão 51
Alternativa C.

Olha… Esssa prática, ao que o texto se refere, se chama —- (roça) e foi “inventada” pelos índios, sendo ainda utilizada por eles, cablocos, quilombros e roçeiros.
Culpar as queimadas por causa dela é um exagero. As pequenas comunidades que a usam não são culpadas por grandes queimadas; talvez no cerrado, que é mais fácil de pegar fogo (pois é mais seco), mas ao mesmo tempo mais resistênte (as árvores são adaptadas para aguentar o fogo).

Contudo, a alternativa A diz que é um método eficaz. De fato, por algum tempo o é, mas posteriormente a isto, o solo se torna infértil novamente, e dificilmente voltará a ser tão fértil quanto antes. Demoraria muito tempo.
No caso da B, não faz lógica alguma. No caso da C, como o texto já diz que é causa das queimadas, daí sabemos que há liberação de gases estufas e eventualmente pode destruir a “casa” de animais, além dos próprios animais… tipo aquela cena do Bambi (não o São Paulo, o filme) fugindo do fogo.
A questão D, é ambigua. Ué, que resíduo se ele mesmo é queimado? Bem, se o fim do resíduo é ser queimado, é um problema, porque polui o ar, mas não polui necessariamente o solo…  A questão E também não é totalmente errada, mas valorização é um exagero. As comunidades que a fazem não tem opção e são poucas áreas destruídas, a maioria, fica anos e anos descansado para se recuperar. O problema da técnica é usar de forma predatório, esgotando o solo tanto a ponto dele não se recuperar nada fácil.

Questão 54
Alternativa E (enem)
Alternativa NENHUMA (eu)

A remoção de vegetação, ou impermiabilização da área ao redor, só tende a piorar as imundações. No caso da retirada de vegetação, a longo prazo, há ainda muita queda de solos no rio, o assoriando.
A a retirada de barragens pode causar problemas da distribuição elétrica… Mas para quem tiver curiosidade, procure no GOOGLE IMAGES fotos de Barragem, ou mesmo no Google Earth, e percebam o quão grande é a área de sua inundação e quão prejudicial a ela. Muitas vezes, a criação de barragens está voltada para o lucro de algumas empresas e poucos políticos (como projetos de barragem no vale do ribeira). Mas o Enem ignora isso. Contudo, a inundação é quase única, raramente as represas excedem seus limites, vazando para “os lados”. A não ser quando a barragem quebra, como no Nordeste…

No caso da alternativa E, o manejo de solo (ou seja, não contaminar ele e depois o rio, não impermebializar, etc…) já bastaria para resolver muitos problemas de inundação. Retirar a população, ao meu ver, é complicado, pois muita população ribeirinha depende da pesca e da vida junto ao rio. SE a área é de risco, beleza, é só resolver. Se der, a população merece voltar.
De todas, e tendo em vista o enunciado, a alternativa E é mais correta.

Questão 57
Alternativa  C

A  taxa de natalidade não influência a de mortalidade. Pode influênciar a junção das duas, que é taxa de crescimento vegetativo.
Agora, a variação do Sul foi de 6,7. Foi realmente grande, e, para mim, isso sinaliza SIM um crescimento economico.
Na região Nordeste, apesar da variação ser grande, ainda há o maior número de mortalidade, o que, para mim, reflete ainda uma condição ruim de vida da população.

Na alternativa E, a redução mais baixa foi do Centro Oeste, e não do Norte.

Questão 58.
Alternativa D.

Questão inteligente e até que dificil, perto das outras.
No caso da alternativa B, vale explicar como funciona o sistema varejista.
É assim. Há o produtor que conseguiu sobreviver a expansão da cana (no caso de São Paulo). Esse produtor, para poder sobreviver, faz um pacto com um supermercado que é um verdadeiro pacto com o Diabo. Ele tem que produzir tanto e com tanta qualidade. Uma uva estragada, inviabiliza toda a caixa, e o prejuízo fica para o agricultor (eu sei, porque acompanhei sítios em São Paulo). Ouuuuu o produtor faz pacto com outro tipo de Diabo, que é o Intermediador. É o cara que tem carro, e pega a produção do cara que não tem carro e vende nos mercados centrais, no caso de São Paulo o CEASA. Daí, feirantes e mercados compraram. Dessa forma, boa parte da produção é regional (a não ser gêneros que não são plantados na Região).

No caso da C é só ver São Paulo e Brasília.
No caso da D, touché! (para rimar). Basta ver as vias de circulação, que ligam várias cidades, e não mais poucos centros. Ver que os produtos passam por processamento diverso. A cana é plantada em tal cidade. A usina fica em tal cidade. A pinga é levada até cidade, e de lá, distribuida para o Brasil (não que eu entenda de tanto assim de pinga…).
As outras questões não se relacionam totalmente com o texto.  Uma cidade pode ser hegemonica mesmo com o enfraquecimento das cidades ao redor, assim como o fortalecimento de cidades menores não quebra a hegemonia de outras.

Questão 59.
Alternativa C.

A alternativa A é o oposto do que o enúnciado diz. Ele já fala de diferença e a alternativa fala de semelhança. A alternativa B substima o índio.
A alternativa C remete exatamente ao que o texto diz. Mesma tecnologia, mesma informação. O texto apenas fala que a cultura, de como “ver” a informação muda.
As duas outras questões mostram uma visão preconceituosa. Espero que ninguém tenha marcado elas, achando que índigenas são atrasados =P.

Questão 60.
Alternativa A.

Um geógrafo facilmente vê que o autor(a) da questão tende a gostar de Milton Santos. Para quem se interessar, é uma boa leitura.

Eu, contudo, confesso: não sei bem explicar rapidamente por que a alternativa A é correta. Demoraria muito…
A chave para responder essa questão era ligar a alternativa com a primeira frase do texto. O texto relaciona a comunidade ao interesse público.  O texto trata de defender que não deve existir um corpo político superior à comunidade.

A comunidade DEVE ter voz e decidir seu destino. Em outras palavras, ser autonoma. (bem, espero que tenha sido claro).

Questão 66
Alternativa E.

É outra pergunta bem legal. Apesar da maioria dizer que “trata-se de uma questão de História”, eu creio que o que ela trata é chave para se entender a Geografia do Brasil.
São Paulo ter tido a concentração industrial é um ponto vital para as desigualdades regionais do Brasil, dentre outras coisas.

No caso da alternativa A, sabemos que foi uma política consciênte do Governo de incentivar a industrialização. Ele não visava diminuir desigualdades sociais, posso até arriscar a dizer que ela não era tão grande naquela época como ficou depois da industrialização.
A Alternativa C e D são anacrônicas. Produção limpa e mão de obra qualificada são coisas recentes. A questão D trata-se de um fenômeno bem atual, referido a tecnologia de ponta e parques tecnológicos como em São Jose dos Campos.

Questão 70.
Alternativa B

Bem… A alternativa A trata da U.E. Ela não tem relação com a delimitação continental.
A alternativa C está errada pois a URSS era considerada, para muitos, bastante civilizada e um exemplo a seguir. Por isso o medo dos EUA.

A alternativa D está errado pois não há incorporação religiosa, se bem que, para muitos, a Turquia não é Europa porque é mulçumana.
A alternativa E está errada pois há muita cultura e povos na Europa e Ásia. Só a Rússia, por si só, possuí mais de 100 culturas.

Publicado por: Thomas J. Schrage | 02/10/2009

Teste vocacional e preconceito com Ciência Humana

Outro dia fui fazer uns testes vocacionais, esses que tem em qualquer revista para vestibulando e em sites “sérios”, com o CIEE.

Engraçado que todos orbitam o mesmo tipo de questão

a) Você é uma pessoa racional e metódica (e introvertida)

b) Você é uma pessoa espontânea, que se dá bem em grupos (extrovertida).

Reparem. Quase todas as perguntas remetem a essas duas classes de resposta. Qualquer um mais observador, logo percebe que o teste em nada ajuda e já mostra que de um lado vai dar em ciências exatas, e o outro em artes ou humanidades.

Agora, POR QUE RAIOS QUEM FAZ O TESTE ACHA QUE UMA PESSOA METÓDICA NÃO PODE SER ESPONTÂNEA?

Vejam bem. Em toda Ciência, as idéias mais geniais surgiram de forma espontânea! Mesmo as que necessitaram de coletas, a coleção ficou ali, anos e anos, até o pesquisador ter aquele estalo, aquela epifania; criando um paradigma.

Uma coisa não é antítese da outra: espontaneidade e racionalidade. Ninguém nega que Einstein era racional, mas, poucas pessoas sabem que suas idéias surgiam como quase do nada, sem que ele mesmo conseguisse explicar de onde surgiram.

Um músico, por sua vez, necessita muito da criatividade, mas, precisa saber ler os métodos da música tão ou mais que um cientista “exato” precisaria saber algumas fórmulas. A ciência humana também precisa de lógica. Aliás, a Lógica, como método de pensamento, surgiu da Filosofia (que nem é ciência…) e a ela pertence.

Um historiador, se não utilizar um método correto de interpretação de documento, de nada valerá.

Outro exemplo, bastante forte, é o da Arqueologia. Sem um método corretíssimo de coleta de amostras, escavação, catalogação e preservação; de nada adiantará. E arqueologia é inegavelmente uma ciência humana.

Esses testes são preconceituosos, por achar que alguém racional não pode ser extrovertido! Conheço muitos Geógrafos que se dão perfeitamente com comunidades, inclusive morando nelas para podê-las estudá-las. Ficam lá, pescando e plantando…

Outros Geógrafos se dão pessimamente com pessoas, lidando com teorias e métodos cartográficos, geopolíticos e até em filosofia da ciência. São pessoas extremamente reservadas e metódicas, ficando apenas no ambiente da biblioteca. Mas ainda sim são espontâneas.

Como fica a Teoria do Caos na Física “metódica e racional”. Aliás, como a Física, a ponta da flecha do Deus científico, lida com idéias abstratas como teoria das cordas e suas N dimensões sem criatividade?

Como um antropólogo pode examinar um povo, sem interferir tanto em sua análise, se não anotando metodicamente suas visitas e entrevistas, e analisando-as com uma grande bagagem teórica?

Meus caros.
Você pode muito bem ser uma pessoa super metódica e racional e ser um cientista Humano, ou vice versa. Aliás, as ciências exatas se dão muito bem com pessoas espontâneas e extrovertidas; precisamos disso.

Por exemplo, para se pensar no Urbano, uma questão a meu ver super delicada, precisa-se de um embasamento teórico e metodológico enorme. Reduzir a questão do urbanismo para arquitetos exatóides e engenheiros progressistas (como o Maluf) daria em uma cidade plástica e fria.

Francisco de Oliveira (sociólogo), em um de seus textos sobre Globalização (e as contradições do “ão”) cita um caso que uma pesquisadora fala de “revitalizar” o centro de São Paulo. Posteriormente foi criticada: revitalizar o que? São formigas os vendedores e pessoas que lotam o centro? Ou seja, não se pode ignorar nunca o fator humano, como alguns teste vocacionais induzem a pensar sobre as ciências “exatas”.

A questão humana (e da natureza) deve ser posta diante de médicos sanitaristas e engenheiros. Só a interdisciplinaridade e a destruição de preconceitos (muitas vezes originados no colégio), pode permitir que a ciência verdadeiramente avance; e não sou só eu que digo, a maioria dos filósofos da ciência (se não todos) batem nessa mesma tecla.

Vide alguns, como Foucault, que era médico, ou Thomas Kuhn que era físico.

Não podemos reduzir um cientista físico a um laboratório ignorando que toda ciência acaba na sociedade e todo cientista é um ser social (o mito da objetividade científica).

Mesmo um cientista físico, precisa de certa sensibilidade. A idéia vendida é que o cientista humano é “cool”, “cult”, “doido” e em casos preconceituosos e ignorantes, maconheiro.  Na Universidade, vê-se uma diversidade de curso para curso grande, mas também interno a cada curso e faculdade. Muitos amigos meus da física, alguns já formados inclusive, ainda jogam RPG, matando a pau em criatividade e dinâmica até mesmo alguns chatos da Letras. Não acredito que um Astrônomo pode ser bom, como Carl Sagan o era, sem um dia ter deitado na grama e ter olhado poeticamente as estrelas. Ou como explicar a Teoria da Gaia, de Lovelock, se não pela sua paixão e indução?

Infelizmente não tenho uma fórmula de um teste bom ou uma boa indicação para você saber que área seguir. Há psicólogos sérios que podem te ajudar; e não esses testes banais e simplórios.

Creio que o melhor jeito é você buscar a produção de cada ciência, ou conversar com quem trabalha com determinada coisa. É meter a cara no Orkut, em feiras de profissão, em sites de universidades. É conversar com seus professores que tiveram na graduação uma visão interdisciplinar.

É um caminho de tentativa e erro, e não há vergonha alguma em você mudar de curso por não gostar dele. E vergonha nenhuma em querer ultrapassar os limites e fazer misturas de ciências (desde que o método e a teoria permitam).

Publicado por: Thomas J. Schrage | 01/10/2009

Enem cancelado 2009 (questões comentadas)

Como todos devem saber, o Enem 2009 sofreu “fraudes” (na verdade, a palavra certa seria vazamento ou incop…).

Como esse não é um blog de notícias (se bem que minha falta de diploma em jornalismo não seria um motivo para tanto), ou comentários maldosos contra o governo, por que eu estou falando no Enem?

Bem. Irei resolver as questões que me cabem responder.

Como estou com preguiça, irei responder só as dessa prova e as imediatamente relacionadas com Geografia ou Teoria da Evolução.

As de prova humanas, estão nesse link do blog: http://latitude0.wordpress.com/2009/10/02/enem-2009-questoes-comentadas-parte-2/
(estou corrigindo aos poucos. São muitas e dá preguiça).

Para quem quiser a prova, há ela disponível na UOL

Como escrevi rápido, me desculpe a falta de formatação e erros de linguagem. Ao longo do tempo, conforme fazer as questões da prova 2, eu corrigirei.

Comentário geral da prova 1 no final.

Questão 1)
RESPOSTA: C
Creio que essa questão seja mais de vocabulário do que de conhecimento científico. Toda mãe no inverno já deve ter reclamado do vapor do  chuveiro. Para criar todo aquele vapor, você teve que gastar mais energia. A energia, no caso da questão, provém do Sol. Uma gota menor pode facilmente evaporar com ela.

A temperatura, como eu já disse nesse blog, é o grau de agitação das moléculas. Quando você está bem alimentado, tem mais energia, e pode se agitar mais (por isso aquele red bull na balada). Mas não é a energia que faz a molécula subir pelo ar, na verdade, as moléculas ficam mais distantes e com menor pressão interna, ficando menos densa que a atmosfera.

Questão 4)
RESPOSTA: E

É uma questão do tipo que na faculdade você não tentaria nem responder… “O que é meio ambiente”. MEIO e AMBIENTE (já pensaram que são palavras diferentes que um dia foram juntadas por uma mente do mal?). Há livros só tentando responder essas coisas. Mas é isso que faz a questão ser uma das mais inteligentes que eu já vi no Enem.

MEIO não quer dizer, no caso, “metade” nem “método”. Meio é um conjunto de elementos que criam certa circunstância (por exemplo: meio físico, meio aquoso). Ambiente, é o local onde esse conjunto de coisas está. Em sentido mais direto, o meio ambiente existe em qualquer lugar. A chave da questão foi talvez a visão do diretor da empresa, pois ele “sabia que a empresa fazia parte do meio ambiente”, e geralmente associamos empresa com ambientes muito transformados pelo homem.

A alternativa E, na Biologia, possuí uma palavra própria e mais direta, além de meio ambiente:  ECOSSISTEMA.

Questão 6) Alternativa E

Darwin e sua teoria são uma das coisas mais complicadas de se entender, pois exige uma visão de milhares e milhares de anos, o que foge da escala humana.

A lei do USO e DESUSO é geralmente remetida ao Lamarck.  Acontece que, imagina se um animal só mantém aquilo que usa, e depois passa só o que usa para seu filho? Aí, seu filho preciso daquilo que seu pai tinha e não lhe passou, e morre.  A questão B é irreal e não tem lógica, a D também é mentira, todo mundo sabe que existe sapo ainda, se não sabe, tem que ver mais filme de princesa da Disney ou ir urgentemente fazer uma trilha.

A questão C é complicada pois “caracteres adquiridos” dão uma idéia errada da teoria evolutiva.

Questão 7)
Resposta: D

Outra questão sobre água, para dar sede em quem fizesse a prova

A resposta A, é irreal. A água subterrânea é o que abastece os rios. Um rio pode superficialmente secar, mas depois ele voltará no mesmo local graças ao abastecimento subterrâneo; é inclusive vital em diversos locais do Brasil. A alternativa B é boba, afinal, (1) água do mar é salgada e (2) desviar o mar, nível de base, para um rio implicaria em vencer a gravidade (ou você já viu rio correr do mar para a nascente? eu só vi isso no desenho Caverna do Dragão).
A questão C é tema para filme de ficção,  sendo, aliás, impossível adaptar uma célula humana a ficar num meio salgado (ela ia ficar sugando a água até explodir) : beber água salgada mata, meus caros.
E a questão E não seria legal também… O oceano é importantíssimo na cadeia alimentar, na manutenção de temperaturas e gases (graças a algas, etc..) além de que tomar banho em água do mar limpa é bem melhor (já bastam no ano novo aquelas velas e garrafas para Iemanjá, né).

Questão 8 )
A reposta correta é:  D, semelhante a questão anterior.

E lá vem mais água!

Creio que essa não precisa de explicação.

Questão 9)
É B a correta

Essa questão está errada no seu enunciado. O principal gás do efeito estufa (ou seja, do aquecimento global) é o vapor da água. Mas enfim…

Na alt. A, a geleira iria crescer.  Foi uma alternativa tendenciosa ao erro que pegaria um aluno sem muita atenção (como eu era nas provas).

A B está certa. Mais frio as geleiras iriam crescer (pois, os topos das montanhas que já tendem a ser mais frio pela altitude, seriam mais frios ainda).  O reverso ocorre hoje: gentes nos Alpes suíços ficam “embrulhando” suas geleiras para não derreterem e acabar o turismo de esqui na região.

A água que ficaria “presa” nas geleiras, não iria para o mar. Isso faria o mar descer (tanto, que na última glaciação ligou-se uma ponte entre a Sibéria e o Alaska permitindo a imigração para as Américas).  O relevo também muda, pois as geleiras são extremamente fortes no intemperismo mecânico e elas por si só já constituem um relevo (relevo é o mesmo que “forma/visível”).
Fora isso, creio que todos que viram coisas como O dia depois de amanhã, ou Era do Gelo, sabem responder.

As cidades do Hemisfério Norte, por exemplo, sofreriam muito com um frio. Principalmente seu abastecimento agrícola. Animais e plantas também imigrariam para o Sul (no caso do Hemisfério Norte), pois não poderiam sobreviver num local sempre congelado (sem uma estação de verão onde aparecem gramas, etc…)

Questão 10
Alternativa B
Também descarta comentários. Talvez a questão C precise de um: isso seria resolver as conseqüências do problema, e não suas causas.

Questão 12
Alternativa C.

Questão bem legal!!!

É mais uma interpretação de texto; lendo ele com atenção não se criaria problemas.
A questão A, está errada por culpar a similiariedade de ambientes por diferenças. Na verdade, o próprio texto diz que locais diferentes que implicam em espécies diferentes.
Mas vale uma ressalva: Biomas semelhantes podem de fato ter espécies diferentes, isso por causa do que os evolucionistas chamam de “mutação randômica”; , mas mesmo neste caso, é a história evolutiva do animal importa mais que o bioma. Por exemplo: no mesmo bioma de savana, surgiu nossa espécie bípede  e os babuínos que deixaram quase totalmente o bipedismo para andar sobre 4 membros; eles não viraram bípedes por pura sorte (ou azar) além do “mercado de ocasião” trófico.

B) dificilmente espécies diferentes teriam filhos… Além de que isso não explicaria diversidades grandes (cruzamentos seriam eventuais).

C) Ambientes diferentes implicam em condições diferentes, que selecionam os mais adaptados. Além de que isolamento causa maior transmissão de genes em mutação (pois a população é menor). Mas, não é apenas o ambiente diferente que causa espécies diferentes, na verdade, ele SELECIONA.

Questão 13
Alternativa correta B
obs: não só dos organismos, mas também da Natureza. Ambientes costeiros tem muito mais equilíbrio térmico ao longo do dia e das estações, inclusive, sendo (de acordo com algumas teorias arqueológicas sul americanas) a causa das migrações do continente Americano prevalecer em zonas costeiras do que interioranas.

Questão 16)
Alternativa D.

Olha, eu considerei essa questão difícil, principalmente na parte do ODOR.
Eventualmente, junto à turma de Hidrografia, visitamos todo o abastecimento de água de São Paulo; das usinas, mas até as nascentes e nem me lembrei muito sobre odor. Imagino que só um aluno com um bom professor, que explicou o processo, poderia responder sossegados essa questão.
Talvez fosse mais fácil saber a parte de desinfetar, o 5; lembrando que cloro é posto em piscina, é posto em detergente, e até mesmo em remédios.  Dessa forma, por eliminação chegaria à questão certa (afinal, qualquer um saberia que bombeamento não tem implicação em cheiro.)

Questão 19)
Alternativa D.

A energia potencial gravitacional seria, por exemplo, a de rios (talvez isso seja mais Física que Geografia)
A alternativa B coloca o Sol no meio. Talvez aí entre um pouco de Geografia. O núcleo quente da Terra, acredita-se, tem origem na formação do sistema Solar, ou seja, é tão antigo quanto o próprio Sol. Outras teorias acreditam que ele foi “ativado” numa colisão de dois planetas (cujo filho foi o nosso e a Lua), seja como for, o Sol ainda era um bebê quando isso ocorreu e tinha muita pouca energia, não influenciando em nada na Energia Geotérmica.
A alternativa C coloca sal no meio, isso é meio absurdo. A questão E tem uma primeira parte correta, mas na segunda, peca: a energia geotérmica não produz resíduos (não visíveis ou prejudiciais ao meio ambiente).

Questão 35
Alternativa C

Eu sofro com essas ilhas de calor viu…

Nas ciências, essa capacidade do material de refletir a luz se chama Albedo.
Uma solução legal para as ilhas de calor, vêm sendo plantar (sic) no teto de grandes edifícios. Em algumas cidades da Europa, isso, inclusive é obrigação. Em outras (e parece que São Paulo seguirá essa idéia), há redução de impostos.
Não só as árvores e vegetação, pela sua cor e material ajuda na redução de calor, como também seus processos de vida e sombreamento do solo. Para se ter idéia, lendo livros antigos sobre São Paulo, há trechos que relatam que os portugueses gostaram daqui, pois “lembrava o clima temperado (sic) de Portugal” (mesmo que com muita neblina).
Para responder a questão, teria (como na maioria das questões de físicas) ter uma gama teoria por trás (no caso, saber o que é calor específico e capacidade térmica).

Questão 38
Alternativa D.

Outra questão inteligente.
A alternativa A, é mais uma vez, conseqüência e não causa.
Alternativa B: não vejo nenhuma ligação aos dois eventos, tanto que nem posso comentar.
C: talvez isso fosse também conseqüência, e não causa. (o sal puxa umidade sim… tanto que meu saleiro vive entupido).
D: o vento é um dos maiores transportadores de pequenas partículas; desde neves, areias (dunas do Saara ou Maranhão) até sal… É pelo transporte do vento, por exemplo, que se disseminam algumas sementes. Outro efeito do transporte do vento é poluir culturas sensíveis, ou carregar poluição de estradas para lavoura (por isso que se plantam cercas vivas ao longo dessas lavouras).
A questão E também não preciso comentar… né.

COMENTÁRIOS GERAIS SOBRE GEOGRAFIA NO NOVO ENEM

Bem mais simples que uma FUVEST ou vestibular de Federal, e bem mais elaborada do que geralmente é o Enem – mas ainda muito “fácil”. Não houve (como não haveria de ter) inovações drásticas. Creio que por ser uma “novidade” ainda, não mudaram muito.

A prova foi muito bem equilibrada entre Biologia, Geografia, Química etc… Inclusive, conseguiu abrir zonas de contato entre disciplinas diferentes, no caso da Geografia principalmente com a Biologia.

Até que foi uma prova madura (nos moldes do Enem). Foi uma boa avaliação, (a prova de ciências da Natureza). Mas infelizmente parece ainda muito simples. Não é o suficiente exigente para um país que quer um grande desenvolvimento científico e tecnológico.  Além de que uma prova muito fácil tende a elevar muito as notas, fazendo que a redação e a sorte seja fundamental no desempate. Um descuido ou um erro de uma questão pode deixar o aluno atrás de muitos outros, sendo que essa questão errada não significa necessariamente que o aluno tenha de fato que estudar um ano a mais num cursinho.

Visivelmente na parte de Geografia Física há uma mesma linha de pensamento, tratando-se  do Meio Ambiente (é a tendência de ser politicamente correto), unido por temas em comum, como “Água” em primeiro lugar e em segundo Fontes de Energia; o que, aliás, não é nada original no Enem.

Trocadilho: de tanta água, o Enem foi por água abaixo

Alguns temas como aqüífero Guarani e Amazônia ficaram de fora. Se a prova manter a mesma linha, com certeza uma hora ou outra irão aparecer. Incrível que a palavra que o Governo mais gosta (pois a prova obviamente foi feita nos moldes ideológicos do Governo) não surgiu: desenvolvimento sustentável.

Um aluno mais bem atualizado, com uma visão mais crítica se daria bem. Um aluno que lê revistas de atualidades, navega em sites de ciência (como esse hehe) e tem um professor que discute temas  em sala de aula e não só passa trecho de livros, se daria bem.

Isso porque  evitou-se a decoreba… Não se perguntou coisas relacionadas a relevo, solo e rochas (uma pena!), o que remete a visão que a ecologia geralmente possuí de se excluir esses elementos mais “duros”. Imagino, ainda, que o Enem manterá o tema do Meio Ambiente (relação do antrópico e natural e relação de organismos vivos com abióticos) como carro chefe. Não obstante, eventualmente (dificilmente) pode aparecer algum outro tema relacionado aos impactos do homem em solos ou ocupação humana em relevos de risco (o que era quase impossível no antigo Enem).

Para exemplificar: O Enem dificilmente perguntaria “como se forma um vulcão”, mas poderia usar, por exemplo,  isso de fundo para falar sobre a renovação da natureza. Se o tema mudar de água para “fome” (como pode facilmente ocorrer), não se perguntaria a química do solo, mas possivelmente usaria-se o issue da renovação da fertilidade de um solo para se comentar sobre a expansão na Amazônia ou Cerrado.

A prova também utilizou um recurso bastante legal: o de o aluno saber o que é causa e conseqüência. Muitas alternativas não eram erradas, mas, conforme se perguntava “a causa do problema”, elas remetiam a conseqüência. Isso, pelo lado bom, exige um raciocínio processual do aluno (saber onde começa a coisa, para poder solucioná-la) que é o que se espera de um aluno: não decorar, mas raciocinar. O lado ruim, é que um aluno com sono, fome e cansado (como possivelmente ficará em Novembro) tenderá ao erro.

Ou seja (resumindo):  A prova optou um meio legal de avaliar os alunos. O tipo de raciocínio exigido e a os temas são legais. Porém, infelizmente o Enem subestimou a inteligência dos brasileiros e não pode querer ser o vestibular de uma instituição que almeje ser uma das melhores do mundo.

Para finalizar, a pergunta que eu faço é a seguinte. No mundo no qual vivemos, cuja noção de progresso é a noção guia, e cujo consumismo está cada vez mais sendo impregnado em nossa mente (a tal “sociedade burocrática de consumo dirigido”, cujo “Deus é o Carro”, de Lefebvre), de que adianta uma prova que cite temas de reciclagem e consciência ambiental? De que adianta saber onde jogar o lixo, se cada vez mais criamos mais e mais e mais e mais lixo e somos induzidos a comprá-lo?

Postagens Antigas »

Categorias