Publicado por: Thomas J. Schrage | 25/10/2009

Xixi no Banho e a mata Atlântica

Alguns de vocês já devem ter se deparado com a campanha para se fazer “xixi” no banho, para “salvar” a mata atlântica.

É uma campanha muito bem feita, e muito simpática (forçadamente simpática, pois as pessoas tendem a ter “nojinho” receios sobre assuntos que lembrem sua origem animal, como soltar resíduos – que é exatamente o que faz de um algo ser vivo, de acordo com as teorias da entropia aplicadas à Vida)

Apesar da excelência em design e marketing dos contratos pela S.O.S Mata Atlântica, creio que há algumas a se falar.

A primeira é que de fato é inegável a economia de água. Não só para o bolso do morador da casa, para o bolso do governo como para a saúde de nossa mãe Terra.

Vamos ver o caminho da água para chegar a São Paulo (na região norte da região metropolitana de SP)

A água vem de rios, cujas nascentes encontram-se em SP e MG, em locais de intensa agricultura (ou seja, quase não há mais mata atlântica por lá…). Passam por alguns reservatórios no Estado paulista até chegarem num grande reservatório antes da Serra da Cantareira. Nela, a água é elevada por uma usina elevatória e distribuída pela Sabesp.  Ou seja, a água será levada até São Paulo com ou sem descarga no seu banheiro.

A eficácia real desse método é muito, muito pequena perto do que se deve fazer. O sistema total de esgoto de São Paulo é infinitamente mais responsável do que a água gasta na sua casa. Se todos pararem de gastar tanta água, sem dúvidas o nível dos rios se manterá muito melhor do que está agora, não sofrerem tantas ameaças de falta de água (por muito tempo, os níveis de São Paulo estavam abaixo do ideal). Mas, no fim, a água será poluída…

A luta simplesmente não para no xixi no banho.
Quanta água é desperdiçada na represa Billings, que abastece a região Sul da Região Metropolitana de São Paulo? Muita!!! Por conta de o reservatório estar com suas margens ocupadas por habitações ilegais. Meu caro… você e sua descarga é fixinha perto do lixo que os moradores soltam nessas reservas. E cadê os anúncios de pressão governamental para ativar usinas de saneamento lá? Lembro, inclusive, do CQC fazendo um “proteste já” por conta de uma usina ali desativada. O CQC, conseguindo ativar a Sabesp ali, irá economizar muito mais água que centenas de xixis no banho.

Salvar a Mata Atlântica também é outro problema… Nosso sistema produtor de água está em lugares já há muito desmatado. E possivelmente em constante poluição, por conta de agrotóxicos, estradas e empresas pouco conscientes. Lembro que fui num dos rios principais do sistema Cantareira (o da região norte da RMSP), logo na divisa de MG com SP, e a quantidade de lixo vindo da estrada era incrível. Quem acompanhou o SP TV, da Rede Globo, com seu contrato instalado nos lixos dos rios paulistas, sabe do que estou falando.

Depois, a água irá seguir pelo Tietê até a bacia do Paraná. Apenas lá no final de sua vida, a água vai encontrar locais de mata atlântica ainda preservada (para quem é de São Paulo).  O problema da Mata Atlântica é muito mais profundo: desmatamento, habitação ilegal, empresas “à la Cubatão”…

Xixi no banho é uma boa.

Mas a pressão no governo é muito importante também.

Além dos anúncios bonitinhos das gotinhas, deviam passar listas de políticos que permitiram indústrias e permitem agrotóxicos nas beiras dos rios. Ninguém sai por aí falando da venda ilegal desses produtos químicos, né?

Colocar alarme no carro, não evita que existam roubos de carro por aí…

Publicado por: Thomas J. Schrage | 16/10/2009

Regras ABNT e refêrencias. parte 2

esta é a segunda parte de um outro “post”, onde eu explicou e/ou indico links de como se fazer capas, letras, citações, bibliografia (e etc) na norma ABNT e outras.

É bastante raro achar textos ou documentos que expliquem como referenciar algumas coisas um pouco diferentes.

Para um Geógrafo ou afins, pode ser importante saber como citar e colocar na bibliografia Atlas, fotografias aéreas, entrevistas, etc…

Bem, vamos lá, explicar isto para a norma ABNT.

É só seguir as chaves a baixo, respeitando sinais e negritos (ou itálicos, se preferir no lugar do negrito).

MAPA IMPRESSO , GLOBO ou ATLAS

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Escala.

Obs: muitas vezes os mapas vêm com relatórios. Citar eles também.
Ex: MOROZ, Isabel Cristina ; ROSS, Jurandyr L S . Mapa Geomorfológico do Estado de São Paulo. São Pauilo: USP/IPT/FAPESP, 1997. v. 2.

MAPA INTERNET

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Escala. Disponível em: xxxx. Acesso em: (data)

MAPA DIGITAL

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Escala. Mídia

FOTOGRAFIA AÉREA

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicasdo tipo de documento (se puder), dimensões (se puder). Escala. Informações relativas.

IMAGEM DE SATÉLITE

AUTORIA. Título. Local: Editora, Ano. Designações específicas (se puder), dimensões (se puder). Informações relativas.

INPE. Ciclone: formação no Oceano Atlântico Sul. São José dos Campos, 2000. 1 imagem de satélite, NOAA, 20 de abril de 2000.

FOTOGRAFIA

AUTORIA (Fotógrafo). Título. Ano. Designações específicas (se puder), cor, dimensões.

(fotos de obras de artes é diferente. O autor é o da obra de arte, e no final aparece o fotógrafo).

ENTREVISTA (publicada)

AUTORIA (Entrevistado). Título da entrevista. Dado de onde foi publicado (por exemplo: revista Caras), local da publicação, numero e edição. Ano. Designações específicas do tipo do documento. Entrevistador (se necessário)

Exemplo:

LOVELOCK, J. A vingança de Gaia. VEJA (arght!), São Paulo, 25  out. 2006. Página ?. Entrevista concedida a Diego Shelp

Publicado por: Thomas J. Schrage | 11/10/2009

Homenagem ao Aziz Ab’Saber

repassando:

“Haverá pelo IEA um evento que tem como objetivo discutir questões
ambientais e fazer uma homenagem ao professor Aziz Ab’Sáber.”

Desafios Socioambientais para o século XXI
Homenagem ao Aziz Ab´Sáber

LINK PARA A PROGRAMAÇÃO NO IEA (Instituto de Estudos Avançados – USP)

É gratuito!!!

20 outubro 2009
auditório FEA-5 da FEA/USP
Av. Prof. Luciano Gualberto, 908, Cidade Universitária, Butantã, São Paulo

Crise de abastecimento hídrico, alterações climáticas, escassez de matéria-prima e de fontes de energia tradicionais resultam em um cenário conflituoso para este século. Além disso, uma crise econômica de enorme proporção partiu do centro do sistema hegemônico e afetou diversas esferas da vida contemporânea. Esse conjunto de desafios exige uma reflexão conjunta, que mobilize pesquisadores e lideranças de várias áreas na busca de alternativas que resultem em maior inclusão social e resolução de problemas ambientais.
Para contribuir nessa discussão, o Instituto de Estudos Avançados – IEA, com apoio da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB) e Departamento de Geografia da FFLCH-USP realizam o seminário “Desafios Socioambientais para o século XXI”.
Trata-se também de uma homenagem especial ao geógrafo e ambientalista Aziz Ab’Sáber, convidado de honra, que vai partilhar suas experiências sobre temas atuais com interlocutores de diferentes segmentos sociais e acadêmicos. O seminário será uma nova oportunidade para pesquisadores, estudantes, ambientalistas e integrantes de movimentos sociais conhecerem as opiniões do professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e professor honorário do IEA.

PROGRAMAÇÃO

10h00 Abertura
IEA/USP, SBPC, AGB, Depto. Geografia da FFLCH/USP, Reitoria da USP
10h30-12h00 Brasil: potência ambiental?
Coordenação de Marco Antonio Raupp, Presidente da SBPC
Carlos Alfredo Joly, IB/UNICAMP – Biodiversidade e Mudanças Climáticas: de Copenhague Nagoya
Jose Roberto Moreira, CENBIO/IEE/USP – Desafios Ambientais: a questão da energia e dos recursos hídricos
Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, IB e IEA/USP – Serviços Ambientais, Agricultura e Conservação no Brasil
14h00-15h30 Metrópole paulistana: qualidade de vida e proteção ambiental
Coordenação de Lea Francisconi, Presidente da AGB/SP e FFLCH/USP
Claudio de Mauro, UFU
Nabil Bonducki, EESC/USP
Odette Seabra, FFLCH/USP
15h30-17h00 A Transformação da Paisagem Brasileira
Coordenação de Adilson Avansi Abreu, FFLCH/USP
Jose Bueno Conti, FFLCH/USP – A desertificação e suas conseqüências
Elvio Rodrigues Martins, FFLCH/USP – A urbanização e os problemas socioambientais
17h00 Homenagem ao Prof. Aziz Nacib Ab´Saber
Coordenação de Cesar Ades, Diretor do IEA/USP
Magda Lombardo, UNESP
Wagner Costa Ribeiro, IEA e FFLCH/USP
Thales Ab´Saber
Aziz Nacib Ab´Saber

Inscrições
em: www.iea.usp.br/iea/inscricao/form3.html
Haverá transmissão pela web em www.iea.usp.br/aovivo”
Mais informações podem ser obtidas com Inês Iwashita (ineshita@usp.br), tel. (11) 3091-1685.
—-
Olha, creio que vai ser muito bom o evento. Dos nomes que eu aí reconheço, todos são muitos bons.
Para quem desejar seguir a área de Geografia ou qualquer área relacionada à questão ambiental é uma boa pedida esse evento.
Para quem não sabe, Aziz (nascido em 1924) é um dinossauro da Geografia, professor emérito e honorário, sendo renomado nacionalmente pela sua luta pelo meio ambiente e por trazer teorias, principalmente francesas (como as sobre paleoclimas quartenários e domínios morfoclimáticos),  para o Brasil no meio do século passado.
Publicado por: Thomas J. Schrage | 08/10/2009

Paisagem e Geografia Física

Fui acusado por colegas de ser totalmente parcial ao dizer mais de uma vez neste blog, inclusive em um post “o que é Geografia Física”, voltado à não Geógrafos, de que esta porção da Geografia poderia ser baseada nos estudos da “paisagem”.

Dessa forma, elevei o conceito de paisagem em nível de ser o objeto de estudos da Geografia Física.

Oras, de fato, são acusações válidas. Mas temos que ver o seguinte. Essa minha afirmação não foi baseada de fato na epistemologia da Geografia, e sim, foi buscar uma forma didática. O que eu quis dizer com Paisagem não está incluído em nenhuma conceitualização da Geografia; foi, na verdade, apenas uma palavra comum do vocabulário cotidiano de todos.

Creio que de fato seja válido dizer que um bom Geógrafo Físico possa explicar facilmente aquilo que vê (paisagem), de cima de uma montanha. Saiba elementos do clima, fauna, solos e relevo que permitem dizer o porquê daquilo ser daquele jeito, e não de outro. Foi neste sentido que quis dizer o trabalho do Geógrafo Físico.

Contudo, bem sabemos que um Geomorfólogo não pode só estudar uma paisagem. Ele pode simplesmente se focar no relevo fluvial e ter toda sua vida acadêmica baseada em explicar as formas esculpidas por rios. Tá certo que aí ele não precise entender todos os elementos da paisagem no sentido de tudo que seja abrangido em seu campo de visão. Mas creio que seus estudos, ainda sim, mesmo que em uma escala maior (mais detalhada), ainda seja baseada  no visível.

Um pedólogo, que estude solos, vindo da Geografia, não pode apenas se basear nas análises laboratoriais por si só, ou apenas se basear no solo em relação a cultivos (como um Agrônomo poderia). Creio que isto foge do que é “ser um Geógrafo”. Em minha opinião, e aí confesso toda minha parcialidade, mas sei que estou apoiado por uma grande maioria, um Geógrafo precisa estudar os solos vendo ele em relação com a vida que sustenta e com todos seus fatores de formação (relevo, clima, tempo, biomas e material de origem). É  entender os seus atributos Geográficos de localização e distribuição e a sua relação com o espaço.

Quanto à definição de a Geografia Física estar atrelada ao conceito de Paisagem, não é algo da minha cabeça. Mesmo que eu tenha utilizado o termo paisagem como está na cabeça de qualquer pessoa não Geógrafa, eu poderia muito bem defender esta afirmação com um conceito de Paisagem mais trabalhado.

Nos últimos tempos, houve uma retomada do conceito de paisagem na Geografia. Alguns conceitos, como Região, sempre foram de certa forma debatidos, uma visão com a outra, mesmo que mantendo uma linha em comum, que seria o econômico (meio de produção, apropriação capitalista da natureza, etc.…). Talvez o conceito de território, mais atrelado ao político, é mais estável ainda. A Geografia Política, a meu ver, sempre utilizou a noção de território na sua base, e ainda mais com essa característica do “poder” mais diretamente (contudo, há pessoas que dizem que o território não mais rege a geopolítica, esta também deveria agora se basear cada vez mais no econômico, a geoeconomia).

Atualmente, a Paisagem é muito utilizada pela Geografia Cultural. Aí, prevalece uma noção bastante legal de que a paisagem é percebida por um olho humano cheio de simbolismos e cultura; não por uma lente fria e sem paixões.
Ainda sim, prevalece uma corrente naturalista  como a de Bertrand, e a que eu mais me baseio, para explicar que “a paisagem é, numa certa porção do espaço, o resultado da combinação dinâmica, portanto instável, de elementos físicos ou abióticos, biológicos e antrópicos que reagindo dialeticamente uns sobre os outros fazem da paisagem um conjunto único e indissociável que evoluciona um bloco”.

Ora, a diferença dessas duas correntes é bastante clara. A da Geografia Cultural busca ver a paisagem cada vez mais com subjetividade; a dos Geossistemas (”naturalistas”) como um objeto passível de uma análise minuciosa para se entender a “Natureza”.

Creio que ambas as noções NÃO são contraditórias! O Geógrafo Cultural está na cidade, e claro que na cidade a visão humana é subjetiva. Muitas vezes, passamos sempre pelo mesmo lugar, mas apenas quando estamos com fome, vemos que ali há muitos restaurantes. É o caso da Berrini. Imediatamente vemos prédios, a economia voltada para fora, para o “mundo economia”, em forma de fluxos e redes, ligando a Berrini com a Paulista e estas com Tóquio, Londres, etc.… Apenas estando muito próxima da Berrini, vivendo o seu cotidiano, vemos toda aquela vida local, a economia local, com bares e restaurantes.
Outro exemplo da subjetividade é a topofilia.  A própria nomeação dos lugares é bastante clara nesse aspecto: nós, da Geografia, tendemos a chamar o ponto de ônibus à frente da Geologia, logicamente de “o ponto da Geologia”, tanto que esse nome dá a impressão de ser o nome oficial, que todos saberiam onde é. Contudo, um estudante da ECA (Artes Plásticas, Jornalismo etc..), considera aquele seu ponto, e há casos de que eu falei “ponto da Geologia” para alguém da ECA, e este, que não conhecia a Geologia, pensou que eu estava falando de um ponto do outro lado do campus universitário. Nós da Geografia que dividimos o prédio com a História vivemos brincando com isso. Um fala “prédio da Geografia”, outro de “prédio da História”. As pessoas da Geologia, também chamam de “prédio da Geografia”, já para a maioria do campus  é  “prédio da História”. No fim, quase ninguém sabe o nome oficial do prédio e nunca ouvi utilizarem ele!

Ocorre o mesmo com paisagens naturais? Em menor escala, sim. Mas é claro que um índio olha uma porção de sua floresta de forma totalmente diferente que um madeireiro. É claro que um Agrônomo olhará a paisagem diferente de um Geógrafo que será diferente de um artista plástico.

Mas será que mesmo por causa disso, não podemos criar mecanismos menos subjetivos? Claro que sim, e é exatamente isto que a Geografia Física faz. Com estudos de suas disciplinas, podemos olhar mais treinados para uma paisagem, buscando uma objetividade. Se a subjetividade do pesquisador fosse empecilhos, as ciências humanas tenderiam a desaparecer completamente!

Nessa linha de pensamento (a paisagem como elemento subjetivo), os autores a excluem como sinônimo de Natureza, como eu outrora fiz neste blog. De fato, é um exagero associar a Natureza com a Paisagem, ainda mais em vista de que a própria natureza é um conceito subjetivo.

Pode-se, facilmente, estudar na Geografia Física a paisagem de forma cartesiana e objetiva, utilizando-se métodos dos Geossistemas e ecologia, se focando no observável.

Um Geossistema é ” o resultado da combinação de fatores geológicos, climáticos, geomorfológicos, hidrológicos e pedológicos associados a certo(s) tipo(s) de exploração biológica. Tal associação expressa a relação entre o potencial ecológico e a exploração biológica e o modo como esses variam no espaço e no tempo, conferindouma dinâmica ao geossistema. Por sua dinâmica interna, o geossistema não apresenta necessariamente homogeneidade evidente. Na maior parte do tempo, ele é formado de paisagens diferentes, que representam os diversos estágios de sua evolução.  (JANISE e LEONARDO, 2007)

Pode-se, ainda, estudar a paisagem “natural”, mesmo que interpretada como natureza, buscando a dimensão do cultural e do subjetivo; neste caso, se focando no homem, no observador. Creio que a Geografia brasileira carece ainda desse tipo de estudos, principalmente por esta ser tão colada com o econômico.

A Ciência é livre.

Para mais estudos:

JANISE, D. e S,  LEONARDO – A paisagem e o geossistema como possibilidade de leitura da expressão do espaço sócio-ambiental rural. Rev. Confins,  n°1, 2007. pp 2-20

A bibliografia do texto foi baseada em  textos de Vitte, Carl Sauer, Sotchava, Brunet, Bertrand G., Salgueiro (SALGUEIRO T. B. – Paisagem e Geografia, revista Finesterra, XXXVI, n 72, ano 2001), Monteiro C. A e Francisco Mendonça.

Publicado por: Thomas J. Schrage | 02/10/2009

Enem 2009 – Questões comentadas (parte 2)

Agora, comentários  da prova de ciências humanas, com questões que se referem a Geografia.

(comentando aos poucos. São bastantes questões)
(me desculpe os erros de português, arrumarei posteriormente).

Questão 48 )
Alternativa B

Uma questão legal, já que trata do meio ambiente relacionado com Ciências humana.
Acho que daria para confundir com a alternativa D. O problema que aqueles países estão longes e não são abundantes em água. Uma obra de tão grande envergadura traria mais males do que bens.
Na alternativa C, algo que é aparentemente viável, ficaria apenas estranho no caso de que, sem água, de nada adianta plantar grãos (que precisam ser regados).

Questão 49)
Alternativa  E.
Segue a mesma linha que toda a prova de Geografia, tanto na parte de Natureza como de Humanas. A relação do meio ambiente com o homem.
A questão só se tornaria complicada por usar palavras semelhantes em todas questões.  É algo feito para atrapalhar os desatentos e quem sofre de Dislexia =(
Qualquer cartilha sobre preservação ambiental, além de anúncios, tratam de evitar o consumo exagerado. Isso, porque a entrada de água nas represas depende muito de chuvas.  Em períodos de seca ou de um “boom” de gasto (como na praia, durante o ano novo) os reservatórios podem ficar abaixo da capacidade.

Questão 50.
Alternativa C.

Essa questão foi realmente legal.
O Carro é um dos produtos mais forçados a serem vendidos. É um “Deus”, o “objetivo maior” de muita gente.
Basta olhar: muitos carros grandes tem apenas um motorista. É um disperdício de espaço.
A questão A não deixa de ser verdade, mas é um exagero.
Infelizmente a questão E não é real, pois isso criaria um colapso nos transportes de grandes massas e produtos. A solução seria transporte público (e não asfaltar rios, como o Maluf deseja).

Questão 51
Alternativa C.

Olha… Esssa prática, ao que o texto se refere, se chama —- (roça) e foi “inventada” pelos índios, sendo ainda utilizada por eles, cablocos, quilombros e roçeiros.
Culpar as queimadas por causa dela é um exagero. As pequenas comunidades que a usam não são culpadas por grandes queimadas; talvez no cerrado, que é mais fácil de pegar fogo (pois é mais seco), mas ao mesmo tempo mais resistênte (as árvores são adaptadas para aguentar o fogo).

Contudo, a alternativa A diz que é um método eficaz. De fato, por algum tempo o é, mas posteriormente a isto, o solo se torna infértil novamente, e dificilmente voltará a ser tão fértil quanto antes. Demoraria muito tempo.
No caso da B, não faz lógica alguma. No caso da C, como o texto já diz que é causa das queimadas, daí sabemos que há liberação de gases estufas e eventualmente pode destruir a “casa” de animais, além dos próprios animais… tipo aquela cena do Bambi (não o São Paulo, o filme) fugindo do fogo.
A questão D, é ambigua. Ué, que resíduo se ele mesmo é queimado? Bem, se o fim do resíduo é ser queimado, é um problema, porque polui o ar, mas não polui necessariamente o solo…  A questão E também não é totalmente errada, mas valorização é um exagero. As comunidades que a fazem não tem opção e são poucas áreas destruídas, a maioria, fica anos e anos descansado para se recuperar. O problema da técnica é usar de forma predatório, esgotando o solo tanto a ponto dele não se recuperar nada fácil.

Questão 54
Alternativa E (enem)
Alternativa NENHUMA (eu)

A remoção de vegetação, ou impermiabilização da área ao redor, só tende a piorar as imundações. No caso da retirada de vegetação, a longo prazo, há ainda muita queda de solos no rio, o assoriando.
A a retirada de barragens pode causar problemas da distribuição elétrica… Mas para quem tiver curiosidade, procure no GOOGLE IMAGES fotos de Barragem, ou mesmo no Google Earth, e percebam o quão grande é a área de sua inundação e quão prejudicial a ela. Muitas vezes, a criação de barragens está voltada para o lucro de algumas empresas e poucos políticos (como projetos de barragem no vale do ribeira). Mas o Enem ignora isso. Contudo, a inundação é quase única, raramente as represas excedem seus limites, vazando para “os lados”. A não ser quando a barragem quebra, como no Nordeste…

No caso da alternativa E, o manejo de solo (ou seja, não contaminar ele e depois o rio, não impermebializar, etc…) já bastaria para resolver muitos problemas de inundação. Retirar a população, ao meu ver, é complicado, pois muita população ribeirinha depende da pesca e da vida junto ao rio. SE a área é de risco, beleza, é só resolver. Se der, a população merece voltar.
De todas, e tendo em vista o enunciado, a alternativa E é mais correta.

Questão 57
Alternativa  C

A  taxa de natalidade não influência a de mortalidade. Pode influênciar a junção das duas, que é taxa de crescimento vegetativo.
Agora, a variação do Sul foi de 6,7. Foi realmente grande, e, para mim, isso sinaliza SIM um crescimento economico.
Na região Nordeste, apesar da variação ser grande, ainda há o maior número de mortalidade, o que, para mim, reflete ainda uma condição ruim de vida da população.

Na alternativa E, a redução mais baixa foi do Centro Oeste, e não do Norte.

Questão 58.
Alternativa D.

Questão inteligente e até que dificil, perto das outras.
No caso da alternativa B, vale explicar como funciona o sistema varejista.
É assim. Há o produtor que conseguiu sobreviver a expansão da cana (no caso de São Paulo). Esse produtor, para poder sobreviver, faz um pacto com um supermercado que é um verdadeiro pacto com o Diabo. Ele tem que produzir tanto e com tanta qualidade. Uma uva estragada, inviabiliza toda a caixa, e o prejuízo fica para o agricultor (eu sei, porque acompanhei sítios em São Paulo). Ouuuuu o produtor faz pacto com outro tipo de Diabo, que é o Intermediador. É o cara que tem carro, e pega a produção do cara que não tem carro e vende nos mercados centrais, no caso de São Paulo o CEASA. Daí, feirantes e mercados compraram. Dessa forma, boa parte da produção é regional (a não ser gêneros que não são plantados na Região).

No caso da C é só ver São Paulo e Brasília.
No caso da D, touché! (para rimar). Basta ver as vias de circulação, que ligam várias cidades, e não mais poucos centros. Ver que os produtos passam por processamento diverso. A cana é plantada em tal cidade. A usina fica em tal cidade. A pinga é levada até cidade, e de lá, distribuida para o Brasil (não que eu entenda de tanto assim de pinga…).
As outras questões não se relacionam totalmente com o texto.  Uma cidade pode ser hegemonica mesmo com o enfraquecimento das cidades ao redor, assim como o fortalecimento de cidades menores não quebra a hegemonia de outras.

Questão 59.
Alternativa C.

A alternativa A é o oposto do que o enúnciado diz. Ele já fala de diferença e a alternativa fala de semelhança. A alternativa B substima o índio.
A alternativa C remete exatamente ao que o texto diz. Mesma tecnologia, mesma informação. O texto apenas fala que a cultura, de como “ver” a informação muda.
As duas outras questões mostram uma visão preconceituosa. Espero que ninguém tenha marcado elas, achando que índigenas são atrasados =P.

Questão 60.
Alternativa A.

Um geógrafo facilmente vê que o autor(a) da questão tende a gostar de Milton Santos. Para quem se interessar, é uma boa leitura.

Eu, contudo, confesso: não sei bem explicar rapidamente por que a alternativa A é correta. Demoraria muito…
A chave para responder essa questão era ligar a alternativa com a primeira frase do texto. O texto relaciona a comunidade ao interesse público.  O texto trata de defender que não deve existir um corpo político superior à comunidade.

A comunidade DEVE ter voz e decidir seu destino. Em outras palavras, ser autonoma. (bem, espero que tenha sido claro).

Questão 66
Alternativa E.

É outra pergunta bem legal. Apesar da maioria dizer que “trata-se de uma questão de História”, eu creio que o que ela trata é chave para se entender a Geografia do Brasil.
São Paulo ter tido a concentração industrial é um ponto vital para as desigualdades regionais do Brasil, dentre outras coisas.

No caso da alternativa A, sabemos que foi uma política consciênte do Governo de incentivar a industrialização. Ele não visava diminuir desigualdades sociais, posso até arriscar a dizer que ela não era tão grande naquela época como ficou depois da industrialização.
A Alternativa C e D são anacrônicas. Produção limpa e mão de obra qualificada são coisas recentes. A questão D trata-se de um fenômeno bem atual, referido a tecnologia de ponta e parques tecnológicos como em São Jose dos Campos.

Questão 70.
Alternativa B

Bem… A alternativa A trata da U.E. Ela não tem relação com a delimitação continental.
A alternativa C está errada pois a URSS era considerada, para muitos, bastante civilizada e um exemplo a seguir. Por isso o medo dos EUA.

A alternativa D está errado pois não há incorporação religiosa, se bem que, para muitos, a Turquia não é Europa porque é mulçumana.
A alternativa E está errada pois há muita cultura e povos na Europa e Ásia. Só a Rússia, por si só, possuí mais de 100 culturas.

Publicado por: Thomas J. Schrage | 02/10/2009

Teste vocacional e preconceito com Ciência Humana

Outro dia fui fazer uns testes vocacionais, esses que tem em qualquer revista para vestibulando e em sites “sérios”, com o CIEE.

Engraçado que todos orbitam o mesmo tipo de questão

a) Você é uma pessoa racional e metódica (e introvertida)

b) Você é uma pessoa espontânea, que se dá bem em grupos (extrovertida).

Reparem. Quase todas as perguntas remetem a essas duas classes de resposta. Qualquer um mais observador, logo percebe que o teste em nada ajuda e já mostra que de um lado vai dar em ciências exatas, e o outro em artes ou humanidades.

Agora, POR QUE RAIOS QUEM FAZ O TESTE ACHA QUE UMA PESSOA METÓDICA NÃO PODE SER ESPONTÂNEA?

Vejam bem. Em toda Ciência, as idéias mais geniais surgiram de forma espontânea! Mesmo as que necessitaram de coletas, a coleção ficou ali, anos e anos, até o pesquisador ter aquele estalo, aquela epifania; criando um paradigma.

Uma coisa não é antítese da outra: espontaneidade e racionalidade. Ninguém nega que Einstein era racional, mas, poucas pessoas sabem que suas idéias surgiam como quase do nada, sem que ele mesmo conseguisse explicar de onde surgiram.

Um músico, por sua vez, necessita muito da criatividade, mas, precisa saber ler os métodos da música tão ou mais que um cientista “exato” precisaria saber algumas fórmulas. A ciência humana também precisa de lógica. Aliás, a Lógica, como método de pensamento, surgiu da Filosofia (que nem é ciência…) e a ela pertence.

Um historiador, se não utilizar um método correto de interpretação de documento, de nada valerá.

Outro exemplo, bastante forte, é o da Arqueologia. Sem um método corretíssimo de coleta de amostras, escavação, catalogação e preservação; de nada adiantará. E arqueologia é inegavelmente uma ciência humana.

Esses testes são preconceituosos, por achar que alguém racional não pode ser extrovertido! Conheço muitos Geógrafos que se dão perfeitamente com comunidades, inclusive morando nelas para podê-las estudá-las. Ficam lá, pescando e plantando…

Outros Geógrafos se dão pessimamente com pessoas, lidando com teorias e métodos cartográficos, geopolíticos e até em filosofia da ciência. São pessoas extremamente reservadas e metódicas, ficando apenas no ambiente da biblioteca. Mas ainda sim são espontâneas.

Como fica a Teoria do Caos na Física “metódica e racional”. Aliás, como a Física, a ponta da flecha do Deus científico, lida com idéias abstratas como teoria das cordas e suas N dimensões sem criatividade?

Como um antropólogo pode examinar um povo, sem interferir tanto em sua análise, se não anotando metodicamente suas visitas e entrevistas, e analisando-as com uma grande bagagem teórica?

Meus caros.
Você pode muito bem ser uma pessoa super metódica e racional e ser um cientista Humano, ou vice versa. Aliás, as ciências exatas se dão muito bem com pessoas espontâneas e extrovertidas; precisamos disso.

Por exemplo, para se pensar no Urbano, uma questão a meu ver super delicada, precisa-se de um embasamento teórico e metodológico enorme. Reduzir a questão do urbanismo para arquitetos exatóides e engenheiros progressistas (como o Maluf) daria em uma cidade plástica e fria.

Francisco de Oliveira (sociólogo), em um de seus textos sobre Globalização (e as contradições do “ão”) cita um caso que uma pesquisadora fala de “revitalizar” o centro de São Paulo. Posteriormente foi criticada: revitalizar o que? São formigas os vendedores e pessoas que lotam o centro? Ou seja, não se pode ignorar nunca o fator humano, como alguns teste vocacionais induzem a pensar sobre as ciências “exatas”.

A questão humana (e da natureza) deve ser posta diante de médicos sanitaristas e engenheiros. Só a interdisciplinaridade e a destruição de preconceitos (muitas vezes originados no colégio), pode permitir que a ciência verdadeiramente avance; e não sou só eu que digo, a maioria dos filósofos da ciência (se não todos) batem nessa mesma tecla.

Vide alguns, como Foucault, que era médico, ou Thomas Kuhn que era físico.

Não podemos reduzir um cientista físico a um laboratório ignorando que toda ciência acaba na sociedade e todo cientista é um ser social (o mito da objetividade científica).

Mesmo um cientista físico, precisa de certa sensibilidade. A idéia vendida é que o cientista humano é “cool”, “cult”, “doido” e em casos preconceituosos e ignorantes, maconheiro.  Na Universidade, vê-se uma diversidade de curso para curso grande, mas também interno a cada curso e faculdade. Muitos amigos meus da física, alguns já formados inclusive, ainda jogam RPG, matando a pau em criatividade e dinâmica até mesmo alguns chatos da Letras. Não acredito que um Astrônomo pode ser bom, como Carl Sagan o era, sem um dia ter deitado na grama e ter olhado poeticamente as estrelas. Ou como explicar a Teoria da Gaia, de Lovelock, se não pela sua paixão e indução?

Infelizmente não tenho uma fórmula de um teste bom ou uma boa indicação para você saber que área seguir. Há psicólogos sérios que podem te ajudar; e não esses testes banais e simplórios.

Creio que o melhor jeito é você buscar a produção de cada ciência, ou conversar com quem trabalha com determinada coisa. É meter a cara no Orkut, em feiras de profissão, em sites de universidades. É conversar com seus professores que tiveram na graduação uma visão interdisciplinar.

É um caminho de tentativa e erro, e não há vergonha alguma em você mudar de curso por não gostar dele. E vergonha nenhuma em querer ultrapassar os limites e fazer misturas de ciências (desde que o método e a teoria permitam).

Publicado por: Thomas J. Schrage | 01/10/2009

Enem cancelado 2009 (questões comentadas)

Como todos devem saber, o Enem 2009 sofreu “fraudes” (na verdade, a palavra certa seria vazamento ou incop…).

Como esse não é um blog de notícias (se bem que minha falta de diploma em jornalismo não seria um motivo para tanto), ou comentários maldosos contra o governo, por que eu estou falando no Enem?

Bem. Irei resolver as questões que me cabem responder.

Como estou com preguiça, irei responder só as dessa prova e as imediatamente relacionadas com Geografia ou Teoria da Evolução.

As de prova humanas, estão nesse link do blog: http://latitude0.wordpress.com/2009/10/02/enem-2009-questoes-comentadas-parte-2/
(estou corrigindo aos poucos. São muitas e dá preguiça).

Para quem quiser a prova, há ela disponível na UOL

Como escrevi rápido, me desculpe a falta de formatação e erros de linguagem. Ao longo do tempo, conforme fazer as questões da prova 2, eu corrigirei.

Comentário geral da prova 1 no final.

Questão 1)
RESPOSTA: C
Creio que essa questão seja mais de vocabulário do que de conhecimento científico. Toda mãe no inverno já deve ter reclamado do vapor do  chuveiro. Para criar todo aquele vapor, você teve que gastar mais energia. A energia, no caso da questão, provém do Sol. Uma gota menor pode facilmente evaporar com ela.

A temperatura, como eu já disse nesse blog, é o grau de agitação das moléculas. Quando você está bem alimentado, tem mais energia, e pode se agitar mais (por isso aquele red bull na balada). Mas não é a energia que faz a molécula subir pelo ar, na verdade, as moléculas ficam mais distantes e com menor pressão interna, ficando menos densa que a atmosfera.

Questão 4)
RESPOSTA: E

É uma questão do tipo que na faculdade você não tentaria nem responder… “O que é meio ambiente”. MEIO e AMBIENTE (já pensaram que são palavras diferentes que um dia foram juntadas por uma mente do mal?). Há livros só tentando responder essas coisas. Mas é isso que faz a questão ser uma das mais inteligentes que eu já vi no Enem.

MEIO não quer dizer, no caso, “metade” nem “método”. Meio é um conjunto de elementos que criam certa circunstância (por exemplo: meio físico, meio aquoso). Ambiente, é o local onde esse conjunto de coisas está. Em sentido mais direto, o meio ambiente existe em qualquer lugar. A chave da questão foi talvez a visão do diretor da empresa, pois ele “sabia que a empresa fazia parte do meio ambiente”, e geralmente associamos empresa com ambientes muito transformados pelo homem.

A alternativa E, na Biologia, possuí uma palavra própria e mais direta, além de meio ambiente:  ECOSSISTEMA.

Questão 6) Alternativa E

Darwin e sua teoria são uma das coisas mais complicadas de se entender, pois exige uma visão de milhares e milhares de anos, o que foge da escala humana.

A lei do USO e DESUSO é geralmente remetida ao Lamarck.  Acontece que, imagina se um animal só mantém aquilo que usa, e depois passa só o que usa para seu filho? Aí, seu filho preciso daquilo que seu pai tinha e não lhe passou, e morre.  A questão B é irreal e não tem lógica, a D também é mentira, todo mundo sabe que existe sapo ainda, se não sabe, tem que ver mais filme de princesa da Disney ou ir urgentemente fazer uma trilha.

A questão C é complicada pois “caracteres adquiridos” dão uma idéia errada da teoria evolutiva.

Questão 7)
Resposta: D

Outra questão sobre água, para dar sede em quem fizesse a prova

A resposta A, é irreal. A água subterrânea é o que abastece os rios. Um rio pode superficialmente secar, mas depois ele voltará no mesmo local graças ao abastecimento subterrâneo; é inclusive vital em diversos locais do Brasil. A alternativa B é boba, afinal, (1) água do mar é salgada e (2) desviar o mar, nível de base, para um rio implicaria em vencer a gravidade (ou você já viu rio correr do mar para a nascente? eu só vi isso no desenho Caverna do Dragão).
A questão C é tema para filme de ficção,  sendo, aliás, impossível adaptar uma célula humana a ficar num meio salgado (ela ia ficar sugando a água até explodir) : beber água salgada mata, meus caros.
E a questão E não seria legal também… O oceano é importantíssimo na cadeia alimentar, na manutenção de temperaturas e gases (graças a algas, etc..) além de que tomar banho em água do mar limpa é bem melhor (já bastam no ano novo aquelas velas e garrafas para Iemanjá, né).

Questão 8 )
A reposta correta é:  D, semelhante a questão anterior.

E lá vem mais água!

Creio que essa não precisa de explicação.

Questão 9)
É B a correta

Essa questão está errada no seu enunciado. O principal gás do efeito estufa (ou seja, do aquecimento global) é o vapor da água. Mas enfim…

Na alt. A, a geleira iria crescer.  Foi uma alternativa tendenciosa ao erro que pegaria um aluno sem muita atenção (como eu era nas provas).

A B está certa. Mais frio as geleiras iriam crescer (pois, os topos das montanhas que já tendem a ser mais frio pela altitude, seriam mais frios ainda).  O reverso ocorre hoje: gentes nos Alpes suíços ficam “embrulhando” suas geleiras para não derreterem e acabar o turismo de esqui na região.

A água que ficaria “presa” nas geleiras, não iria para o mar. Isso faria o mar descer (tanto, que na última glaciação ligou-se uma ponte entre a Sibéria e o Alaska permitindo a imigração para as Américas).  O relevo também muda, pois as geleiras são extremamente fortes no intemperismo mecânico e elas por si só já constituem um relevo (relevo é o mesmo que “forma/visível”).
Fora isso, creio que todos que viram coisas como O dia depois de amanhã, ou Era do Gelo, sabem responder.

As cidades do Hemisfério Norte, por exemplo, sofreriam muito com um frio. Principalmente seu abastecimento agrícola. Animais e plantas também imigrariam para o Sul (no caso do Hemisfério Norte), pois não poderiam sobreviver num local sempre congelado (sem uma estação de verão onde aparecem gramas, etc…)

Questão 10
Alternativa B
Também descarta comentários. Talvez a questão C precise de um: isso seria resolver as conseqüências do problema, e não suas causas.

Questão 12
Alternativa C.

Questão bem legal!!!

É mais uma interpretação de texto; lendo ele com atenção não se criaria problemas.
A questão A, está errada por culpar a similiariedade de ambientes por diferenças. Na verdade, o próprio texto diz que locais diferentes que implicam em espécies diferentes.
Mas vale uma ressalva: Biomas semelhantes podem de fato ter espécies diferentes, isso por causa do que os evolucionistas chamam de “mutação randômica”; , mas mesmo neste caso, é a história evolutiva do animal importa mais que o bioma. Por exemplo: no mesmo bioma de savana, surgiu nossa espécie bípede  e os babuínos que deixaram quase totalmente o bipedismo para andar sobre 4 membros; eles não viraram bípedes por pura sorte (ou azar) além do “mercado de ocasião” trófico.

B) dificilmente espécies diferentes teriam filhos… Além de que isso não explicaria diversidades grandes (cruzamentos seriam eventuais).

C) Ambientes diferentes implicam em condições diferentes, que selecionam os mais adaptados. Além de que isolamento causa maior transmissão de genes em mutação (pois a população é menor). Mas, não é apenas o ambiente diferente que causa espécies diferentes, na verdade, ele SELECIONA.

Questão 13
Alternativa correta B
obs: não só dos organismos, mas também da Natureza. Ambientes costeiros tem muito mais equilíbrio térmico ao longo do dia e das estações, inclusive, sendo (de acordo com algumas teorias arqueológicas sul americanas) a causa das migrações do continente Americano prevalecer em zonas costeiras do que interioranas.

Questão 16)
Alternativa D.

Olha, eu considerei essa questão difícil, principalmente na parte do ODOR.
Eventualmente, junto à turma de Hidrografia, visitamos todo o abastecimento de água de São Paulo; das usinas, mas até as nascentes e nem me lembrei muito sobre odor. Imagino que só um aluno com um bom professor, que explicou o processo, poderia responder sossegados essa questão.
Talvez fosse mais fácil saber a parte de desinfetar, o 5; lembrando que cloro é posto em piscina, é posto em detergente, e até mesmo em remédios.  Dessa forma, por eliminação chegaria à questão certa (afinal, qualquer um saberia que bombeamento não tem implicação em cheiro.)

Questão 19)
Alternativa D.

A energia potencial gravitacional seria, por exemplo, a de rios (talvez isso seja mais Física que Geografia)
A alternativa B coloca o Sol no meio. Talvez aí entre um pouco de Geografia. O núcleo quente da Terra, acredita-se, tem origem na formação do sistema Solar, ou seja, é tão antigo quanto o próprio Sol. Outras teorias acreditam que ele foi “ativado” numa colisão de dois planetas (cujo filho foi o nosso e a Lua), seja como for, o Sol ainda era um bebê quando isso ocorreu e tinha muita pouca energia, não influenciando em nada na Energia Geotérmica.
A alternativa C coloca sal no meio, isso é meio absurdo. A questão E tem uma primeira parte correta, mas na segunda, peca: a energia geotérmica não produz resíduos (não visíveis ou prejudiciais ao meio ambiente).

Questão 35
Alternativa C

Eu sofro com essas ilhas de calor viu…

Nas ciências, essa capacidade do material de refletir a luz se chama Albedo.
Uma solução legal para as ilhas de calor, vêm sendo plantar (sic) no teto de grandes edifícios. Em algumas cidades da Europa, isso, inclusive é obrigação. Em outras (e parece que São Paulo seguirá essa idéia), há redução de impostos.
Não só as árvores e vegetação, pela sua cor e material ajuda na redução de calor, como também seus processos de vida e sombreamento do solo. Para se ter idéia, lendo livros antigos sobre São Paulo, há trechos que relatam que os portugueses gostaram daqui, pois “lembrava o clima temperado (sic) de Portugal” (mesmo que com muita neblina).
Para responder a questão, teria (como na maioria das questões de físicas) ter uma gama teoria por trás (no caso, saber o que é calor específico e capacidade térmica).

Questão 38
Alternativa D.

Outra questão inteligente.
A alternativa A, é mais uma vez, conseqüência e não causa.
Alternativa B: não vejo nenhuma ligação aos dois eventos, tanto que nem posso comentar.
C: talvez isso fosse também conseqüência, e não causa. (o sal puxa umidade sim… tanto que meu saleiro vive entupido).
D: o vento é um dos maiores transportadores de pequenas partículas; desde neves, areias (dunas do Saara ou Maranhão) até sal… É pelo transporte do vento, por exemplo, que se disseminam algumas sementes. Outro efeito do transporte do vento é poluir culturas sensíveis, ou carregar poluição de estradas para lavoura (por isso que se plantam cercas vivas ao longo dessas lavouras).
A questão E também não preciso comentar… né.

COMENTÁRIOS GERAIS SOBRE GEOGRAFIA NO NOVO ENEM

Bem mais simples que uma FUVEST ou vestibular de Federal, e bem mais elaborada do que geralmente é o Enem – mas ainda muito “fácil”. Não houve (como não haveria de ter) inovações drásticas. Creio que por ser uma “novidade” ainda, não mudaram muito.

A prova foi muito bem equilibrada entre Biologia, Geografia, Química etc… Inclusive, conseguiu abrir zonas de contato entre disciplinas diferentes, no caso da Geografia principalmente com a Biologia.

Até que foi uma prova madura (nos moldes do Enem). Foi uma boa avaliação, (a prova de ciências da Natureza). Mas infelizmente parece ainda muito simples. Não é o suficiente exigente para um país que quer um grande desenvolvimento científico e tecnológico.  Além de que uma prova muito fácil tende a elevar muito as notas, fazendo que a redação e a sorte seja fundamental no desempate. Um descuido ou um erro de uma questão pode deixar o aluno atrás de muitos outros, sendo que essa questão errada não significa necessariamente que o aluno tenha de fato que estudar um ano a mais num cursinho.

Visivelmente na parte de Geografia Física há uma mesma linha de pensamento, tratando-se  do Meio Ambiente (é a tendência de ser politicamente correto), unido por temas em comum, como “Água” em primeiro lugar e em segundo Fontes de Energia; o que, aliás, não é nada original no Enem.

Trocadilho: de tanta água, o Enem foi por água abaixo

Alguns temas como aqüífero Guarani e Amazônia ficaram de fora. Se a prova manter a mesma linha, com certeza uma hora ou outra irão aparecer. Incrível que a palavra que o Governo mais gosta (pois a prova obviamente foi feita nos moldes ideológicos do Governo) não surgiu: desenvolvimento sustentável.

Um aluno mais bem atualizado, com uma visão mais crítica se daria bem. Um aluno que lê revistas de atualidades, navega em sites de ciência (como esse hehe) e tem um professor que discute temas  em sala de aula e não só passa trecho de livros, se daria bem.

Isso porque  evitou-se a decoreba… Não se perguntou coisas relacionadas a relevo, solo e rochas (uma pena!), o que remete a visão que a ecologia geralmente possuí de se excluir esses elementos mais “duros”. Imagino, ainda, que o Enem manterá o tema do Meio Ambiente (relação do antrópico e natural e relação de organismos vivos com abióticos) como carro chefe. Não obstante, eventualmente (dificilmente) pode aparecer algum outro tema relacionado aos impactos do homem em solos ou ocupação humana em relevos de risco (o que era quase impossível no antigo Enem).

Para exemplificar: O Enem dificilmente perguntaria “como se forma um vulcão”, mas poderia usar, por exemplo,  isso de fundo para falar sobre a renovação da natureza. Se o tema mudar de água para “fome” (como pode facilmente ocorrer), não se perguntaria a química do solo, mas possivelmente usaria-se o issue da renovação da fertilidade de um solo para se comentar sobre a expansão na Amazônia ou Cerrado.

A prova também utilizou um recurso bastante legal: o de o aluno saber o que é causa e conseqüência. Muitas alternativas não eram erradas, mas, conforme se perguntava “a causa do problema”, elas remetiam a conseqüência. Isso, pelo lado bom, exige um raciocínio processual do aluno (saber onde começa a coisa, para poder solucioná-la) que é o que se espera de um aluno: não decorar, mas raciocinar. O lado ruim, é que um aluno com sono, fome e cansado (como possivelmente ficará em Novembro) tenderá ao erro.

Ou seja (resumindo):  A prova optou um meio legal de avaliar os alunos. O tipo de raciocínio exigido e a os temas são legais. Porém, infelizmente o Enem subestimou a inteligência dos brasileiros e não pode querer ser o vestibular de uma instituição que almeje ser uma das melhores do mundo.

Para finalizar, a pergunta que eu faço é a seguinte. No mundo no qual vivemos, cuja noção de progresso é a noção guia, e cujo consumismo está cada vez mais sendo impregnado em nossa mente (a tal “sociedade burocrática de consumo dirigido”, cujo “Deus é o Carro”, de Lefebvre), de que adianta uma prova que cite temas de reciclagem e consciência ambiental? De que adianta saber onde jogar o lixo, se cada vez mais criamos mais e mais e mais e mais lixo e somos induzidos a comprá-lo?

Publicado por: Thomas J. Schrage | 27/09/2009

Bússola – Desvio magnético e norte geográfico

Eu comprei uma bússola aqui perto de casa, numa loja de pescaria. Aquelas bem comuns,  de 15 a 20 reais, que você encontra em qualquer loja do tipo ou na maioria dos sites de venda on-line que chamam ela de profissional (e não é bemmmm assim).

Comprei uma pois minha bússola antiga o disco de orientação estava amassado, mas o ponteiro funcionando normalmente.

Acontece que me deparo com uma situação estranha: ao testá-las, cada uma me aponta o Norte.

Bem. Claro que uma bússola profissional de verdade, aquelas de geólogo, custam mais de 3 dígitos.  Mas há algumas mais baratas, como da Nautika, que são boas. Tomem cuidado em confiar cegamente em suas bússolas. É bom conferir!

Enfim. Um jeito de ver qual a infeliz da minha bússola é a correta:

Quando for meio dia, o Sol no hemisfério Sul estará a NORTE. Dessa forma, eu virado para o ponteiro da bússola correta devo receber o sol na “cara”.

Se não for meio dia, aponte o 12 do seu relógio de ponteiro e veja onde está o ponteiro de horas… Digamos.. está as 2 horas. Veja o meio disto ( meio de 12 e 2 que será 1).  O 13 do relógio estará apontando para o norte. É para aí que sua bússola correta deverá estar.

Se for, por exemplo, 4 horas, o meio de 12 apontado para o sol e 4, será 2. Dessa forma, o 2 indica o Norte.

(Esse método não funciona no equador). Ele também não é exato pois depende muito de sua visão e percepção espacial, é bom mais para dar uma noção.

Deve-se fazer a correção do desvio magnético. A bússola nunca aponta exatamente para o Norte Geográfico, e sim para o Norte Magnético, pois este “caminha” pelo mundo. O desvio aqui em São Paulo é em média 20° 6′ Oeste. Há sites que calculam isso para sua latitude (e ano).

Para outros métodos, ver

AQUI (HowStuffWorks) – mas creio que o método do bastão vertical deles seja muito impreciso, apesar de mais prático. O mais correto está

AQUI (Zeca.Astronomos)

(conclusão: a bússola nova não é boa. Vou ter ficar com a antiga…).

Publicado por: Thomas J. Schrage | 24/09/2009

Trabalho científico e regras/normas da ABNT

Talvez uma das dúvidas mais comuns de pessoas que pegam um artigo ou livro científico é entender aquela linguagem própria, com nomes entre parenteses e palavras em latim.

Mais complicado ainda, é quando você sente a necessidade de utilizar essas mesmas regras, seja por vontade própria ou pedido de seu professor. Aí, surge aquelas dúvidas de “como citar o autor?”, “como referenciar o livro na bibliografia?” (se desejar, pule para o final da página para saber essas regras).

De antemão já posso dizer que as regras não sou poucas (existe regra de como citar lápide de cemitério, por exemplo). Existem cursos e livros específicos para quem quer se aprofundar. Mas creio os links no fim dessa página ajudarão.

Mas, antes:

1 – A coisa mais óbvia é que seu trabalho deve ter “começo, meio e fim”. Geralmente, o começo irá aparecer como INTRODUÇÃO. É aí que você dá uma geral no assunto, sem precisar entrar no mérito da sua pesquisa específica.  O fim geralmente aparece como conclusão.  Algum professor meu uma vez falou que “conclusão boa é aquela que termina com indicações de idéias futuras para pesquisar o tema”. Uma coisa é certeza: a conclusão não deve ser um resumo do que você escreveu – tanto que o resumo geralmente aparece antes da introdução!

Se é uma pesquisa, concluir ela é fácil: é o resultado de sua pesquisa; lembrando que na ciência não existe uma certeza  ou esgotação de um tema.

2- Existem vários tipos de bibliografia a se pesquisar. Uma é a bibliografia “cinzenta”, que trata de relatórios do governo, etc… Ela é indicada se for um trabalho voltado para algo mais prático, mas ela é carregada de pretensão do órgão que a produziu e é bastante interna à sua instituição.  Outro tipo é a mídia comum, tal como jornal. Outro tipo, que se deve tomar cuidado, são websites.

A bibliografia mais indicada é a acadêmica (caso trate-se de um artigo acadêmico), podendo ser livros, teses e revistas específicas.

Existem sites específicos para ajudar na sua procura (mais pro fim da página), que devem ser pesquisados, mas não devem nunca substituir  a pesquisa de biblioteca.

3- Baseie-se em teses de sua instituição para saber como fazer capas. Geralmente, no topo da capa há o nome da instituição, no meio o título e o nome do autor, depois há o número de volume (se for mais de 1) e lá embaixo o local e ano de produção.

Quanto ao formato do trabalho, geralmente a margem esquerda e superior deve ser mais espaçada que as outras (e.g, 3cm para a esquerda e superior e 2cm para as outras), principalmente quando se encardernar. Nunca esqueça de enumerar seu trabalho, lembrando que a numeração deve começar a partir do índice (mas deverá aparecer apenas quando iniciar-se o texto do trabalho, na introdução).

4- A letra varia muito. É preferível, contudo, utilizar Arial tamanho 12 para o texto e evitar letras enfeitadas. Citações longas (de mais de 3 linhas), rodapé e legendas tamanho 10. Espaçamento 1,5 (vai lá em PARÁGRAFO, EDITAR) e parágrafo de 1,5cm ou 2,00cm.

Em citações longas, deve-se ter um recuo maior e mais centralizado (nos links abaixo mostram exemplos).

5- Evite usar imagens na capa, a não ser que seja comum logotipos para esse fim ou seja um trabalho mais artístico.

6- Figuras, fotos e tabelas podem aparecer no meio do trabalho ou final, em anexo. Seja como for, lembre-se de colocar um índice só para figuras, tabelas, etc.

7- Nunca esqueça de fazer um índice bem feito. Lembrando que gráficos caem na mesma classificação que imagens esquemáticas: figuras. Há além disso, a classificação “tabelas” e uma outra,  “fotos” (na verdade, não existe uma regra muito específica sobre isso, vide links  a baixo).

8- SEMPRE CITE SUA FONTE.

9- Sempre, mas SEMPRE mesmo, cite uma tabela ou foto em seu texto. Não basta apenas jogar a tabela e figura. Deve-se utilizar ela como recurso ou explicá-la. Por exemplo:

“O perfil de solo (foto 1) trata-se de um Latossolo com áreas destruturadas. Nesta foto, vemos grandes buracos deixados por raízes derrubadas que distorceram os horizontes.  As suas análises químicas (tabela 1) mostram grande quantidade de material…”

10- Fotografias devem vir acompanhadas de legenda e nome do fotógrafo. De preferência com data também. Se for um trabalho geológico, arqueológico  ou afins colocar sempre uma escala e se necessário a orientação (norte, up, etc). Já vi trabalhos muito bons em que as fotos de relevos e paisages foram anotas, junto ao seu azimute, em mapas.

Figuras ou tabelas copiadas de outro autor, também deve ser referênciada. Caso a figura ou tabela seja adaptada por você, colocar de quem ela é seguido de “adaptado pelo autor”

DICA: Há sites de faculdades, como de Viçosa, Unicamp, Unesp, USP com biblioteca virtual de teses.

Há editoras, como Elsevier, com uma gama de periódicos para se ler no computador (mas precisa pagar ou que sua faculdade pague. No caso da USP, qualquer computador dentro do campus pode abrir esses artigos, caso queira abrir na sua casa, você pode criar uma conta VPM, no site da biblioteca da FFLCH explica como).

Há também a Scielo, dentre outros sites de faculdades e do governo, com coletânea de periódicos brasileiros.

Dito isso, as regras da ABNT podem ser vistas nesses dois links a baixo, que lhe enviarão para dois documentos da biblioteca de Arqueologia e Etnologia do MAE-USP (que por sinal, é uma ótima bibliteca!)

REFERÊNCIAS: http://heracles.mae.usp.br/refes.pdf

CITAÇÕES: http://heracles.mae.usp.br/citas.pdf

Para finalizar, existe um caderno da SIBI-USP, indicando como fazer teses e monografias. Neste documento indica como fazer capa, citações, referências (desde livros até partituras), indicar fórmulas, tabelas, figuras, a estrutura do texto, como fazer agradecimentos etc… É tudo na norma da ABNT e creio que pode servir para a maioria dos casos. No site da biblioteca da FFLCH há documentos para outras normas (como a ISO).

Algumas bibliotecas, como as da UFPR criam livrinhos sobre as normas de documentos científicos. Alguns de graça, outros a venda. Vale a pena procurar.

Eu postei ali em cima um caderno para teses e monografias da USP. Apesar de como fazer referências, etc… não mudarem de faculdade para faculdade ou universidade para universidade (afinal, ABNT = associação brasileira de normas e técnicas), é interessante conferir na sua biblioteca as regras para sua faculdade, além de apenas eles poderem fazer as fichas de catalogação e etc…

Publicado por: Thomas J. Schrage | 19/09/2009

Diferenças entre Geografia (Física) e Geologia

obs: não utilize este blog, como não deve utilizar nenhuma fonte, como verdade única.

E peço que, se chegou aqui por causa do título do post, deixar um comentário com dúvidas ou qualquer crítica mesmo. Isto porque acho que é um post de responsabilidade e é bom sempre estar em melhoramento.

Uma pergunta comum é a diferença entre Geografia e Geologia. Creio que muitos que pensam em prestar o maligno vestibular, por gostar das aulas de Geografia Física e de questões ambientais, pode passar por essa dúvida. Inclusive alunos de bacharelado em Geografia, ao começarem a gostar de Geografia Física, e ver que esta é no começo é “confusa” na própria Geografia, pensam: E se eu fizesse Geologia?

Em alguns casos extremos, a pessoa pode pensar:  Faço Geografia, Biologia, Geologia ou Agronomia?

Ajudar as pessoas nessa dúvida é complicado e exige um texto um pouco mais longo (e um tanto aparentemente repetitivo). A questão é tão sutil, que para alguns Geógrafos Humanos, não existe diferença. Já ouvi doutores dizerem que a Geografia Física é uma imitação mal feita da Geologia. De fato, olhando de fora, a coisa é parecida, mas de dentro, é igual água e álcool.

Uma coisa é fato e deve ser dita desde o início. A Geografia do colégio NADA há de semelhante com a Ciência Geográfica a ser aprendida em uma boa faculdade.

Para começar, a Geografia Física possui métodos da ciência da Terra (e até de ciências Biológicas, no caso da Biogeografia), e por isso confunde-se com a Geologia, que no Brasil, é a ciência da Terra mais forte.

A Biogeografia é uma disciplina estranha para a maioria dos Geógrafos, por possuir autores (muitos da biologia e ecologia) e vocabulário próprio. Para quem não sabe, a Biogeografia é a disciplina que estuda a “distribuição dos seres vivos”, ou, em conceitos mais geográficos, “a espacialização e os motivos para a mesma, sobre a distribuição dos seres vivos”.

Conceituar Geografia é impossível aqui, neste momento. Mas para ter uma boa idéia: Geográfico é aquilo que pode aparecer em mapas. A Geografia pode (e deve) explicar o porquê das coisas estarem onde estão, e sua relação com o lugar que estão (nas palavras do Armando Correia).

Mesmo para a Geografia Humana é muito forte. Ruy Moreira escreveu um método que é passar da Paisagem (elementos visíveis), e, baseado em explicar atributos como localização, distribuição, chega-se ao território (ao lugar, região ou rede)  e posteriormente ao invisível, os mecanimos humanos que regem o espaço. Perceba-se que tanto assim precisamos saber Geografia Física.  (obs: nem todos Geógrafos acreditam que há uma divisão entre Geografia Física e Humana, eu acredito na divisão só quanto ao tipo de leis que cada uma utiliza. A Física com Leis e a Humana com a Dialética, de acordo com o Geógrafo Antônio Carlos Robert Moraes).

Dizer que a Geografia é a relação sociedade-natureza, nem sempre é verdade. A maioria esmagadora das disciplinas da Geografia, tal como a Geografia Agrária, Urbana e Política, não utilizam o conceito de natureza mais do que como “recuso natural” (E, alguns Geopolíticos, até falam que recurso natural não existe dado sua dependência com a economia da época).  É uma visão reducionista para alguém que entra na Geografia, por exemplo, pensando em explicar as paisagens que vê, ama, e quer preservar. A relação dessas disciplinas, infelizmente, é vaga e tênue com a Geografia Física. Em casos radicais, os dois lados podem até mesmo não se dar bem.

A verdade é que na Geografia Física, você terá as disciplinas de Geografia Humana, e mesmo que infelizmente não use o que aprendeu em suas pesquisas, aquilo estará dentro de você; faz-lhe um Geógrafo. Alguém capacitado a fazer um manejo ecológico pensando também no humano. “É importante salvar esse tipo de solo, porque a comunidade local o utiliza”.

Para um Geólogo (na maioria dos casos, não querendo generalizar), o homem é regido por leis como a natureza o é. A verdade é que não existe Lei do Homem (tal como paradigma da estratigrafia ou a lei da gravidade), e isso, você só irá aprender com profundidade em um curso de Ciência Humana que tenha contato com História, questões culturais e sociológicas.

Para mim, a melhor forma de explicar, é dizer que na Geografia Física você irá aprender a ler a paisagem (o aspecto do visível) e entender suas relações (o invisível). Por isso irá aprender relevo, solos, clima, geologia… Entenderá que uma característica só existe em relação com outra. Irá, com sua vida acadêmica e profissional, se focar em um aspecto único, mas ainda sem poder perder outros elementos da natureza de vista. Não irá acreditar tanto em modelos matemáticos, e perceberá, ainda, que uma coisa só é válida naquele espaço. Um clima, diferente do tempo meteorológico, é algo que tem um tempo e espaço específico e uma relação estreita com o espaço em que está.

Falar da Geologia,  não sendo Geólogo, é complicado. Mas vou tentar explicar o que vejo trabalhando junto com Geólogos e até mesmo fazendo matérias, tendo amigos e utilizando o Instituto de Geologia no meu estágio.

Geologia estuda as rochas e outros elementos subterrâneos (como a água subterrânea), assim como a história geológica de nosso planeta. Busca entender como se formou esses elementos, (como rochas e minerais,  a crosta terrestre, vulcões, cavernas, montanhas, minas de água e recursos naturais). Busca entender como explorar e preservar esses elementos. Para isso, tem que saber química, física… Se preocupa pouco com o solo (apesar de cada vez mais estar avançando e muito contribuindo nessa área). Mas, para a maioria dos Geólogos, o solo (regolito) é o que surge do intemperismo da rocha. Para isso, quer saber a química do solo, a água no solo… E não aspectos que se relacionam com a paisagem (não tenta, por exemplo, classificar o solo para uso humano ou de preservação). Para ele, o clima é só um agente intempérico. Não quer saber como o clima muda ou influi na paisagem, e sim como age sobre a rocha.

O geólogo também sabe e utiliza muito mais laboratórios e equipamentos “caros”. Eles têm salas só com microscópios, uma série de laboratórios para quantificar e qualificar minerais ou compostos químicos de rochas/sedimentos/rochas, laboratórios de paleontologia/palinologia(pólens fósseis), resistência de rochas, quantificar lençois subterrâneos, etc… Não que o Geógrafo não os utilize (e cada vez estão mais em doutorados), mas um Geólogo sempre será mais dependente e estudará em sua grade logo na graduação esses procedimentos.

O homem é um agente econômico que compra rochas. O homem, para o Geólogo com uma visão “exatóide” (que não são todos), é visto (infelizmente) regido por leis sistemáticas e exatas. Ignora-se o fator histórico, cultural e sociológico que rege as sociedades (não por ignorância, mas por teorias e métodos).  O homem só surge se estiver em relação com as rochas.

O Geólogo se preocupa com a vida (biologia) enquanto fóssil, enquanto elemento paleontológico para se entender a evolução da Terra.

Cada vez mais a Geologia busca entrar em questão de manejo ambiental, etc… E são bons geólogos que fazem isso. Mas o Geógrafo também o pode fazer, tendo, inclusive, em sua grade mais elementos para isso. O Geógrafo tem oficina de levantamento de espécies em Biogeografia, aprende a classificar solos, aprende a entender o clima e medir ele com instrumentos e aprende os mecanismos que regem a sociedade. É uma grande síntese que , apesar do que parece, é capaz de lidar com problemas ambientais tão bem quanto outras áreas. Não pode lidar com contaminação por poluentes, como um Geólogo poderia, mas pode muito bem trabalhar na delimitação de parques ecológicos baseado na distribuição da vida, águas (como alguns Geógrafos estão fazendo, junto ao projeto do Rodoanel).

O Geólogo, por sua vez, é mais capaz de lidar com levantamentos de recursos minerais para mineração, é capaz (por saber mais física e matemática) de trabalhar melhor junto a um engenheiro, é capaz de abrir poços de água subterrânea e preservar cavernas e também parques cuja Geologia, tal como em Lagoa Santa ou Vale do Ribeira, é bastante importante.

Claro que temos ótimos Geomorfólogos e Pedólogos da Geografia trabalhando com questões delicadas que o Geólogo, pela sua grade, poderia trabalhar melhor. E claro que temos Geólogos que trabalham muito bem com questões da Geografia, como hidrografia, geomorfologia, pedologia e Meio Ambiente. A divisão da ciência é uma divisão humana, historicamente pensada. Um bom cientista é aquele que sabe passar os limites humanos impostos, e saber ler a natureza sem preconceitos de “isso quem estuda sou eu e não sei lá quem”.

Para realmente sanar suas dúvidas, aconselho a perguntar para um Geógrafo e um Geólogo como eles responderiam questões de seu interesse.

Dê uma procurada na internet também revista de Geologia e Geografia, e lê no nome dos artigos o que é geralmente tratado por cada ciência.

Carta hipsométrica (relevo) de Portugual

Carta hipsométrica (relevo) de Portugal

Carta geológica de Portugual

Carta geológica de Portugal

Comparando-se as duas cartas, de relevo (estudo da Geografia) e geologia (estudo da Geologia) vê se estrita relação.  Nessa carta de Portugal, nos locais mais baixos (verde), há Geologia mais recente (cinza escuro). Devem ser relevos de eventos tectonicos recente.  Nesses locais de Geologia sedimentar, será onde possivelmente encontraremos fósseis e petróleo.

As linhas amarelas que cortam locais em vermelho possivelmente se trata de grandes rios (vales), ou seja, sem analisar uma carta de águas (hidrografia), um geomorfólogo só de ver o relevo pode inferir que ali há um rio e que tipos de solo e vegetação ali prevalece. Em locais vermelhos, de maior altitude, a temperatura será mais baixa e implicará em vegetação de altitude. Na carta Geológica, se abrirem ela maior,  há no Nordeste (acho que na região de Bragança) um embasemento circular que eu não sei o que é (haha, mas um Geólogo com certeza saberia. Seria um vulcão?).

ps: Utilizei cartas de Portugal porque foram fáceis de achar. Nunca estudei ou fui para Portugal, infelizmente. Se escrevi alguma besteira, por favor, me corrigam (só quis mostrar a relação Geomorfologia-Geologia).

Postagens Antigas »

Categorias